Andressa Anholete|AFP
Andressa Anholete|AFP

Temer critica decisão do Senado de manter direitos de Dilma; PMDB quer recorrer

Presidente nega acusações da base de que houve acordo para 'salvar ' Dilma

Tânia Monteiro, Carla Araújo e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2016 | 19h14

BRASÍLIA - Em uma dura fala durante 1ª reunião ministerial como presidente definitivo nesta quarta-feira, 31, Michel Temer reagiu ao fato de peemedebistas e integrantes da base governista terem votado pela manutenção do direito de Dilma Rousseff exercer cargos públicos e não se tornar inelegível.  

"Se é governo, tem de ser governo e se não concorda com a posição do governo, vem pra cá e conversa conosco, para nós termos uma ação conjunta. O que não dá é para aliados nossos se manifestarem no plenário sem ter uma combinação conosco”, afirmou o presidente.

Segundo interlocutores do governo, o Palácio do Planalto quer, inclusive que o PMDB recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o que integrantes do governo estão chamando de "manobra".

Temer também respondeu às críticas de partidos aliados como PSDB e DEM ao "acordão" e comentou as ameaças de ambandono da base do governo. “Já há partidos dizendo que vão sair do governo. Ora, isso é  fazer jogo contra o governo. Não dá para fazer isso”, afirmou. 

Ao comentar a decisão do plenário do Senado de manter os direitos políticos de Dilma, o ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima disse que "certamente o STF vai ser chamado a se manifestar sobre isso". Já o ministro do Desenvolvimento Social Osmar Terra (PMDB-RS) disse que esta votação "deixou uma lacuna que certamente poderá gerar ações jurídicas, o que não é bom". O ministro Terra salientou, no entanto, que apesar deste problema, que causou estranheza a muitos, "o principal, que é o afastamento de Dilma foi resolvido e o País está pronto para seguir adiante".

Outros ministros e interlocutores de Temer que o acompanhavam no Palácio do Jaburu após a aprovação da cassação de Dilma disseram que a votação do plenário do Senado Federal que rejeitou por 42 votos a 36 a inabilitação da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) para exercer cargos públicos por oito anos é "uma vergonha, um escândalo". De acordo com estes interlocutores de Temer, o presidente rejeita esta ideia de separação das votações e considerou esta decisão "despropositada". Estes mesmos auxiliares do presidente acreditam que "houve mesmo um acordão" entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, com a ajuda de inúmeros senadores do PMDB.

"Tem toda razão o PSDB de reclamar e questionar isso", declarou um outro assessor direto do presidente Temer. "Ficou claro que houve acordão", emendou ele, acentuando que é preciso que os partidos contrário a esta proposição se mobilizem para tentar derrubar isso no STF, embora a maior parte dos ministros que está lá tenho sido nomeada pelos governos petistas.

Temer disse ainda não vai tolerar ataques ao seu governo e queria “deixar este recado muito evidente”. “Quem dá golpe é aquele que propõe a ruptura constitucional e nós não propusemos a ruptura constitucional”, afirmou

 

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