FABIO MOTTA/ESTADÃO
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'Temer cortou até o almoço dela', afirma Lula em ato no Rio

Ex-presidente disse que quer retorno de Dilma ao Planalto para 'corrigir os erros' e ironizou manifestantes pró-impeachment

ANTONIO PITA, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2016 | 08h02

RIO - Na primeira manifestação pública após o impeachment, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou dos cortes na alimentação e nas viagens em aviões da FAB, decididos pelo governo do presidente em exercício Michel Temer, em relação à presidente afastada Dilma Rousseff. “Temer não tinha o direito de fazer o que fez. Ele cortou até o almoço da Dilma. Amanhã vamos comer marmitex”, ironizou o ex-presidente, em ato organizado por centrais sindicais no centro do Rio, na noite de segunda-feira, 7.

O ex-presidente espera que a presidente afastada volte ao cargo. “Não estou dizendo que Dilma não cometeu erros, cometeu. Mas queremos que ela volte para corrigir os erros que cometemos.” Lula falou da possibilidade de influência do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no governo. “Os coxinhas sabem que o ministério de Temer é o ministério do (Eduardo) Cunha”. 

Segundo Lula, as medidas adotadas contra a presidente Dilma, como a restrição ao uso de aviões da FAB, "não vão impedir de sair pelo País para denunciar esse governo".  Mais magro e com voz ainda mais rouca que o habitual, Lula avaliou que tem uma "dívida com a sociedade brasileira", mas evitou se posicionar sobre as eleições de 2018.

"Estão me acusando de tudo quanto é nome, divulgando as bobagens que falo. É medo de eu voltar. Ainda é muito cedo para pensar em 2018. Já estou com idade de me aposentar. Mas não pensem que vão destruir aquilo que nós construímos", completou. O ex-presidente ironizou manifestantes pró-impeachment da presidente. "Os coxinhas agora estão com vergonha por que foram para a rua bater panela e o resultado não foi um risoto, foi Temer".

Operação. Na única referência direta à Lava Jato, o ex-presidente indicou que a operação "submeteu os petroleiros a condições humilhantes". Lula afirmou que ter sido o presidente que mais investiu na companhia e que a descoberta do pré-sal foi "seu maior orgulho como presidente e como cidadão".

O ex-presidente também afirmou que a "elite nunca aceitou a Petrobras", e teceu diversas críticas às "elites", discurso comum em seu governo. "A elite brasileira, incompetente para governar este país, achava que tudo iria se resolver se a gente vendesse as empresas. Eu queria provar que o peão seria capaz de pensar politicamente o Estado brasileiro melhor do que toda a elite", completou.

Lula também defendeu outras ações de seu governo junto ao BNDES e outros bancos públicos. O ato "Se é público, é para todos" defendeu a mobilização da sociedade contra a privatização de empresas e serviços públicos, além de criticar a agenda econômica do governo interino de Michel Temer (PMDB). A manifestação ocorreu na Fundição Progresso, na Lapa, com público reduzido apesar do acesso liberado. 

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