Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer cede até tribuna para senador discursar

Otto Alencar (PSD), que não tinha declarado voto sobre impeachment, falou em evento no Planalto; à noite, porém, disse ser contra afastamento

Carla Araújo e Tânia Monteiro, de Brasília, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2016 | 23h53

No dia em que o plenário do Senado decidia sobre a continuação ou não do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o presidente em exercício Michel Temer dedicou parte de sua agenda a parlamentares e até cedeu a tribuna de um evento no Palácio do Planalto para um discurso do senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos que não tinham declarado voto sobre o afastamento da petista.

Normalmente, discursam em cerimônias no Palácio do Planalto o presidente da República, ministros ligados ao tema do evento ou algum homenageado. Não é comum parlamentares usarem a palavra nesse tipo de solenidade.

O senador Otto Alencar discursou por quase 15 minutos no evento de assinatura de decreto que instituiu o programa de revitalização da Bacia do Rio São Francisco, que será batizado de “Novo Chico”. “É o mais importante projeto para o Nordeste brasileiro. Com esse projeto o senhor (Temer) será um cidadão nordestino”, disse.

A fala de Otto foi a mais longa do evento, superando a de ministros e até mesmo a do presidente em exercício, que discursou por pouco menos de dez minutos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também esteve presente, já demonstrando um gesto de cortesia a Temer. Ambos sentaram lado a lado durante a cerimônia. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) também estava na cerimônia.

“Eu estou me sentindo muito orgulhoso por ser considerado nordestino, naturalmente subordinado a uma condição. Ou seja, se o governo levar adiante a revitalização do Rio São Francisco. É como se fosse um batismo. E é interessante que o rio tem o nome de São Francisco em face de São Francisco de Assis, que batizava as pessoas nas águas do rio, de modo que eu recebo isso como uma espécie de batismo religioso que o senador Otto Alencar me fornece”, disse Temer em seu discurso.

Apesar do “agrado”, à noite o senador se declarou contra o impeachment de Dilma.

Projetos. O presidente em exercício citou ainda a intenção do governo federal de retomar as obras inacabadas e disse que estabeleceu ontem projetos entre R$ 500 mil e R$ 10 milhões. Segundo ele, neste segmento, poderão ser retomadas mais de 1.500 obras com um impacto financeiro “pequeno”, da ordem R$ 1,8 bilhão.

A retomada das obras foi tema de reunião anteontem entre Temer e parlamentares. O presidente em exercício recebeu no Planalto um grupo de senadores para definir um pacote de 1.519 obras que estão paralisadas, na véspera da votação do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) no plenário do Senado que trata do impeachment. A retomada dessas obras atende a um pedido dos próprios senadores e, indiretamente, é uma forma de fazer afago a eles – responsáveis pela análise final do impeachment da presidente afastada.

Agenda. À tarde, enquanto o processo de impeachment da presidente afastada era analisado no plenário do Senado, Temer abriu a agenda para receber a senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), que, apesar de ter se declarado ontem favorável à aprovação da pronúncia de Dilma, ressaltou que o seu posicionamento pelo prosseguimento da ação não significa que ela seja favorável à condenação da petista em eventual julgamento futuro.

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