Temer: blog da Petrobras atrapalha relação com mídia

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou que a decisão da Petrobras de publicar num blog as perguntas dos jornalistas que a procuram, antes mesmo da publicação das reportagens, atrapalha a relação da estatal com a imprensa. Temer não quis, no entanto, opinar sobre a legalidade dos métodos adotados pela empresa. Acha que, a princípio, tudo se insere no debate sobre a liberdade de imprensa. As declarações foram feitas logo depois de Temer participar da abertura da 4ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa, em Brasília.

AE, Agencia Estado

10 de junho de 2009 | 08h04

O diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, que também participou do seminário, atribuiu a decisão da Petrobras a um grande equívoco da estatal. "Não acho que foi má-fé, mas falta de discussão. Por isso, tenho certeza de que a Petrobras vai rever isso", disse ele. Para Gandour, a prática adotada pela Petrobras ignora que o sigilo da imprensa é transitório, faz parte do método de trabalho e pode ser necessário para que se construa uma apuração completa e contextualizada. "Mas o método da imprensa sempre tem como objetivo final a transparência", afirmou.

Para a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a estatal quebra o caráter confidencial que deve ter a correspondência entre os jornalistas e as fontes oficiais da empresa, revelando "canhestra tentativa de intimidar" a imprensa. De acordo com nota da ANJ, "os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um ''tratamento adequado''".

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, relator da ação que revogou a Lei de Imprensa, disse que ainda não tem uma opinião formada sobre a atitude tomada pela Petrobras de revelar as reportagens em andamento. "Não tenho condição de dizer nada conclusivo. Isso é assunto para reflexão", afirmou Britto. Para ele, o direito à liberdade de imprensa é absoluto, conforme garantia da Constituição.

Já o secretário-executivo da Secretaria da Comunicação de Governo (Secom), Ottoni Fernandes Jr, disse que, na sua opinião, a decisão da Petrobras não quebra a liberdade de trabalho de cada meio de comunicação. "A decisão é de pôr lá as respostas e não as perguntas dos repórteres", disse. "Se publicassem as perguntas, poderia sim quebrar a liberdade de trabalho de cada um, porque daria a pista para a reportagem que cada jornal está fazendo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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