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Temer aumenta salários e alivia dívida para comprar apoio político para reformas, diz revista

A publicação britânica 'The Economist', em reportagem intitulada 'O único caminho é para cima', destaca o esforço reformista do presidente interino e diz que economia brasileira começou a reagir

O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2016 | 15h51

LONDRES - A revista britânica The Economist que chega neste fim de semana às bancas diz que o presidente em exercício Michel Temer conseguiu renovar os ânimos na economia "apenas por não ser a senhora Rousseff". A publicação, no entanto, afirma também que o governo interino aumentou os gastos e aliviou dívidas dos Estados. "Assessores dizem que essa generosidade vai comprar apoio político para as reformas fiscais", diz a reportagem.

A reportagem da publicação sobre o Brasil  intitulada "O único caminho é para cima" diz que a recessão continua no País, mas que a economia começa a dar alguns sinais de reação. "O mercado tem melhorado desde que ele assumiu o comando. Mais pró-negócios que a presidente de esquerda e mais astuto em lidar com o Congresso, o senhor Temer promete reformas para aumentar a confiança", diz a revista.

A publicação destaca o esforço reformista do presidente em exercício, mas aponta para uma contradição: o relaxamento das condições fiscais. "O senhor Temer quer alterar a Constituição para congelar os gastos do governo em termos reais e para reformar as pensões generosas demais. Até agora, porém, ele aumentou gastos", diz a revista, ao lembrar que o rombo fiscal previsto pelo governo interino é maior que o previsto por Dilma Rousseff e que o governo Temer aumentou os salários dos servidores públicos e também aliviou a dívida de Estados. 

"Assessores do senhor Temer dizem que essa generosidade vai agora comprar apoio político para as reformas fiscais uma vez que a senhora Rousseff for afastada do cargo. Os mercados acreditam nisso e o custo do seguro contra calote dos títulos do governo caiu. Mas esses aplausos acabarão a não ser que o senhor Temer consiga superar esse elevado desafio que ele colocou para si e para o País", diz a revista.

Enquanto a economia espera a execução das reformas, a publicação cita alguns sinais incipientes de reação da atividade como o aumento de 18% na importação de bens de capital, aumento da produção industrial pelo quarto mês seguido, queda dos estoques e estabilização no movimento nas estradas. Apesar desses sinais, a reportagem diz que "a economia ainda não está em boa forma". O texto nota que indicadores como o desemprego devem piorar ainda mais nos próximos meses e investidores têm demonstrado cautela como, por exemplo, no leilão frustrado da Celg.

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