Agência Brasil
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Temer apela a senadores para que não repitam ações da Câmara

Após deputados rejeitarem acordo com o governo sobre votação de 'pauta-bomba', vice-presidente pede ao Senado apoio e 'responsabilidade'; líderes aliados criticam postura de Cunha

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 15h01

BRASÍLIA - O vice-presidente Michel Temer apelou aos senadores para que não repitam decisões que estão sendo tomadas por deputados, de tentar apreciar propostas que possam causar impacto fiscal para os cofres públicos. Em reunião com lideranças do Senado, nesta manhã no Palácio do Jaburu, ele se mostrou preocupado com as últimas ações da Câmara, comandada pelo correligionário Eduardo Cunha (RJ), que rompeu com o governo no mês passado.

O comentário do vice-presidente, que também preside o PMDB, ocorreu um dia após a Câmara ter rejeitado um acordo com o governo para adiar a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que vincula os salários do advogado-geral da União e dos procuradores estaduais e municipais a 90,25% do salário de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é que a matéria vá à votação nesta tarde no plenário da Casa.

Segundo relatos, Temer disse que "não adianta fazer reunião, almoço ou jantar tentando um sorrir para o outro", em uma referência ao fato de que, um dia antes a decisão dos deputados, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com lideranças da Câmara para tentar evitar a apreciação de 'pautas-bomba'.

O vice-presidente classificou a situação atual de "muito ruim" e estava visivelmente irritado, segundo os presentes. Ele alertou os senadores para a gravidade da situação política e econômica atual e lhes pediu apoio e "responsabilidade" para atravessar essa situação.

Na reunião, líderes aliados fizeram questão de dizer que vão agir de outra forma e até criticaram Eduardo Cunha. "O que o presidente da Câmara quer? Derrubar o presidente da República?", questionou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). O líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), disse que não iria adotar a mesma postura da Câmara e destacou que o debate político não pode prejudicar o Brasil.

O líder do governo na Casa, Delcídio Amaral (PT-MS), que chegou a dizer que o Palácio do Planalto está "dormindo com o inimigo", numa referência à ação dos deputados, cobrou uma ação conjunta para apresentar uma agenda de retomada de crescimento. Nela, constam as propostas de reforma do ICMS e a de repatriação de recursos de brasileiros no exterior não declarados ao Fisco. Delcídio ficou de conversar com Temer sobre essa agenda.

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