Temer ainda estuda como expandir TV Câmara

Promessa feita antes e depois da vitória para chefiar Casa tem grande apoio entre os parlamentares

Luciana Nunes Leal e Mariângela Gallucci, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2009 | 00h00

Ao prometer ampliar a divulgação do trabalho dos deputados nos Estados pela TV Câmara, no discurso que antecedeu a votação para a Mesa Diretora da Câmara, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) deu voz a uma antiga reivindicação dos parlamentares, especialmente os menos conhecidos, o chamado baixo clero. E também chamou atenção para uma estrutura que envolve 234 funcionários (entre servidores e terceirizados), R$ 20 milhões em gastos só neste ano e uma audiência formada na grande maioria por assinantes de TVs pagas.Temer lançou a ideia e reforçou-a no dia seguinte à sua eleição, mas ainda não há um plano para a expansão. A equipe de comunicação da Câmara deverá apresentar algumas sugestões ao presidente. Conforme adiantou Temer, o objetivo é tirar a imagem de que deputados só trabalham de terça a quinta-feira, em Brasília. "O povo acha que não fazemos absolutamente nada nas segundas e sextas", disse, na primeira entrevista. Embora não tenha aceitado participar do debate entres os candidatos à presidência da Casa na TV Câmara, Temer prometeu valorizar a emissora para propagar a atividade parlamentar. Ele acha "extremamente útil para a democracia o povo saber o que o seu deputado faz".Uma das opções para a extensão da programação da TV Câmara são os convênios com TVs públicas locais, como as das Assembleias Legislativas, como ocorre em fase experimental em São Paulo. "A primeira iniciativa para democratizar a TV Câmara é conseguir que ela se torne aberta. Esta deveria ser uma prioridade", diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).Para o parlamentar, equipes da emissora poderiam viajar fazendo reportagens de maneira que todos os Estados fossem contemplados até o fim do ano. "Não precisa ampliar gastos, mas é possível fazer rodízio,"Para o petista Carlos Zarattini (SP), a ampliação das atividades da emissora é "importantíssima". "A maior parte do trabalho dos deputados é feita nos Estados. De sexta a segunda, visitamos cidades, recebemos prefeitos, ouvimos contribuições, conversamos com as pessoas. Acredito que alguns deputados não se interessariam pela divulgação na TV, mas outros vão manifestar o interesse e, ao longo do ano, pode ser mostrado o trabalho de cada um", diz.TV JUSTIÇATransmissões de julgamentos ao vivo, notícias sobre o Judiciário, o Ministério Público e a advocacia, além de aulas sobre disciplinas jurídicas, são as principais atrações da TV Justiça, inaugurada em agosto de 2002 e sediada no Supremo Tribunal Federal (STF).Passados quase sete anos, a TV é aceita até pelos ministros e juízes mais conservadores. No início, porém, havia grande resistência, principalmente contra a transmissão ao vivo das sessões do STF. Com a TV, o Supremo gasta R$ 10 milhões por ano. A TV Cultura foi escolhida para operar a emissora e contratar os 135 funcionários.Além da transmissão de julgamentos no próprio Supremo e em tribunais superiores, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a TV veicula dois telejornais e três boletins diários com notícias. Também são transmitidos programas semelhantes aos telecursos, com aulas sobre disciplinas jurídicas.

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