Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Conspiração não cabe no nosso vocabulário', diz ministro sobre Temer e o PMDB

Eliseu Padilha, que pediu demissão da Aviação Civil, nega que o vice-presidente e seu partido trabalhem a favor do impeachment de Dilma

Eduardo Rodrigues, Ricardo Brito e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 18h13

Atualizada às 19h01

BRASÍLIA - Após entregar o cargo, o ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha (PMDB-RS) negou nesta segunda-feira, 7, fazer parte de uma conspiração ao lado do vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer. Ele rebateu boatos que o colocam como um dos líderes de um "golpe" na presidente Dilma Rousseff pelas vias do processo de impeachment. Padilha afirmou, no entanto, que Temer está iniciando uma "aferição" sobre o posicionamento do PMD com relação ao impedimento.

"Quem me conhece e conhece o presidente Michel Temer sabe que conspiração não cabe no nosso vocabulário. Ninguém espere golpe de Michel e de mim. Não seremos parceiros de golpe nenhum", enfatizou.

Padilha disse ainda que Dilma não está sendo abandonada pelo PMDB, mas afirmou que não poderia atender ao pedido da presidente - feito no Palácio do Planalto antes da coletiva - para continuar no cargo. "Interpreto a manifestação de Dilma como um reforço para que eu revisasse a minha posição", limitou-se a avaliar.

O peemedebista descartou articular dentro do partido pela aprovação do impeachment pelo Parlamento. "Não vou me apresentar como articulador do impeachment no PMDB", garantiu. "O PMDB está literalmente dividido em relação ao impeachment. O presidente Michel Temer sempre soube lidar com divisões e temos que ver quais são os segmentos majoritários do partido", alegou.

O agora ex-ministro lembrou que o PMDB não é apenas a Câmara dos Deputados e o Senado, mas também os 27 diretórios estaduais. "Michel tem habilidades políticas singularíssimas. Como dizia Ulysses Guimarães, um líder não deve imprimir sua vontade, mas exprimir a vontade do partido. Minha posição pessoal não importa", completou.

Padilha evitou comentar a hipótese de o PMDB deixar o governo - entregando todos os cargos - antes da próxima convenção nacional do partido, marcada para março de 2016. "Se o partido tomar essa posição, terá que ser na convenção nacional", concluiu. 

Posicionamento. O ex-ministro informou que Temer, iniciou um levantamento para verificar o posicionamento da maioria do PMDB em relação ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, apesar das movimentações, Temer e ele não serão “articuladores” do processo de afastamento da petista.

“ Temos que ver qual é a posição majoritária do partido neste momento. O presidente Michel está iniciando essa aferição”, ressaltou Padilha, considerado como braço direito do vice-presidente.

Padilha se esquivou ao ser questionado se ele e Michel Temer deverão trabalhar “efetivamente” contra o afastamento da petista. “O presidente Michel Temer é presidente do partido há mais de uma década e ser presidente do PMDB há mais de uma década é um negócio que não é muito fácil politicamente. Se ele não tomou até agora nenhuma decisão, não fez nenhuma manifestação neste sentido é porque está aferindo o que o partido está pensando e querendo”, ressaltou.

Mesmo que a maioria do partido opte por apoiar o impeachment, Padilha afirmou que ele e Temer não vão atuar junto as bancadas do Congresso em favor do processo. “O presidente Michel não será articulador do impeachment. Portanto, eu não serei”.

 

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