DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Temer afirma que o governo vai 'sempre incentivar' investigações

Presidente em exercício não citou diretamente a Lava Jato; em discurso à base, peemedebista disse ainda que é 'vítima de agressões psicológicas', mas que não se preocupa com protestos

Adriana Fernandes, Carla Araújo, Eduardo Rodrigues e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 11h05

BRASÍLIA -  Sob pressão da oposição e sem citar diretamente a Operação Lava Jato, o presidente em exercício Michel Temer enfatizou que o seu governo não vai impedir as investigações. Em discurso na abertura de reunião de líderes do Congresso nesta terça-feira, 24,  Temer disse que “por mais que digam que há um esquema” para impedir as investigações o governo vai sempre incentivá-las. “Não queremos isso, não (barrar as investigações). Ninguém quer”, afirmou Temer.

O presidente citou artigo da Constituição Nacional que trata do princípio da moralidade para mostrar o compromisso com as investigações. Ele disse que não dá para “silenciar” em relação às afirmações de que o governo quer impedir as investigações. Temer afirmou que, à frente da Presidência, quer cumprir a missão de ajudar a tirar o País da crise. Mas ponderou que isso não ocorrerá em “12 dias, dois meses, três meses”. “Vamos levar tempo. O presidente afirmou que considerará a sua missão cumprida se conseguir entregar, em 2018, um País com eleições tranquilas. Por isso, ele insistiu na tese da necessidade de “pacificação nacional”. “Precisamos pacificar o Pais. Não podemos ficar nessa situação”, afirmou.

O presidente em exercício disse que não se pode permitir a “guerra” entre os brasileiros. “Isso é inadmissível”, afirmou. Ele disse ainda que os olhos do governo estão voltados para as camadas mais pobres. “Traremos o crescimento ao País”, prometeu. 

Agressão. Temer disse  ainda que o governo dele está sendo "vítima de agressões psicológicas", mas que não tem preocupação quanto aos protestos desde que assumiu o Palácio do Planalto. "Nós não temos que dar atenção a isso, temos que cuidar do País", discursou para os líderes da base aliada. "Aqueles que quiserem esbravejar façam o quanto quiserem pela via legal", completou.

Ele disse que é ficar "atento" às contestações das ruas, desde que haja "ordem". Em seguida, lembrou das manifestações de junho de 2013, quando milhares foram às ruas protestar, entre outras coisas, por melhorias nos serviços públicos. Segundo o presidente em exercício, o movimento perdeu legitimidade quando surgiram os "black blocks". "Jamais voltarei a esse assunto. Precisamos cuidar do governo e do País", prometeu.

Temer afirmou ainda que refuta as manifestações de que o governo interino representa uma ruptura da Constituição. "Isso é de quem não lê a Constituição. Nossas instituições estão funcionando. Se houvesse ruptura, não funcionaria", afirmou. Temer disse que compreende a interinidade do governo dele. "Mas isso não significa que o País deve parar. Ao contrário, é preciso produzir os fatos para levar o governo adiante. Não podemos ficar paralisados", afirmou.

Teste. O peemedebista destacou que a votação da ampliação da meta, prevista para acontecer ainda nesta tarde, é o primeiro teste para o governo e para o Legislativo. Em sua fala, que foi transmitida por um telão para jornalistas, Temer salientou que se sentia envaidecido pelo fato de alguns afirmarem que ele está instituindo uma espécie de semiparlamentarismo. "Significa que estamos reinstitucionalizando o País", afirmou, ressaltando aos líderes que estavam "governando juntos".

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