André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer afirma que Dilma fará reuniões semanais com a base

Vice minimiza ausência de Renan em jantar da petista com PMDB e diz que senador fez 'observações adequadas' sobre coalizão

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2015 | 05h36

BRASÍLIA - O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, afirmou no final da noite dessa segunda-feira, 2, que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez recentemente "observações adequadas" sobre a coalizão governista. Renan, que boicotou jantar realizado pela presidente Dilma Rousseff com as principais lideranças da legenda, disse na semana passada que a coalizão estava "capenga". Ao final do encontro, o vice afirmou que Dilma prometeu reuniões semanais com representantes dos partidos da base aliada.

Questionado se concordava com o termo usado por Renan, Temer negou qualquer mal-estar causado pela ausência do colega de sigla e preferiu minimizar as críticas feitas pelo presidente do Senado. "Hoje na verdade nós estabelecemos uma coalizão ambulante, com muitas forças e com pernas para caminhar". Temer ressaltou ainda que Renan está "inteiramente integrado no espírito da coalizão (...), que se consolida hoje definitivamente."

Embora seja o maior partido da base aliada de Dilma, o PMDB se rebelou desde que o governo apoiou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) na disputa pela presidência da Câmara. O peemedebista Eduardo Cunha (RJ) foi eleito ainda no primeiro turno e os petistas ficaram isolados em postos secundários na Casa. Além do mais, o PMDB do Senado reclama que não foi contemplado na reforma ministerial, jogando mais combustível na crise com o Palácio do Planalto. 

O jantar com os peemedebistas durou três horas foi organizado para tentar jogar água na fervura, mas a decisão de Renan de não comparecer pegou o governo de surpresa. A presidente adotou uma antiga promessa para tentar se reaproximar do PMDB e disse que se reuniria semanalmente com o aliado e com representantes de outros partidos da base. A petista já fez essa sinalização em outras crises com o Congresso, mas os encontros semanais foram abandonados. 

"A decisão foi agora fazer uma reunião semanalmente com representação dos vários partidos da coalizão para discutir todos os temas, não só aqueles que sejam remetidos ao Congresso Nacional, mas aqueles que façam parte de ações do poder Executivo", afirmou Temer, para acrescentar que sua legenda deixa o jantar mais "satisfeita". Ele disse que participará dos encontros, que também sempre contarão com ao menos um ministro do PMDB. "Efetivamente vai haver uma integração maior e uma consulta maior".

'Equívoco'. Temer afirmou ainda que Dilma vai consultar o PMDB e os demais partidos aliados antes de adotar políticas e de enviar propostas ao Legislativo, uma das principais demandas dos peemedebistas. Ao ser questionado sobre a edição, no final da semana passada, de uma medida provisória que alterou as regras da desoneração da folha de pagamento adotada no primeiro de Dilma, sem consulta com os peemedebistas, Temer reconheceu que a falta de diálogo foi um "suposto equívoco". "Nada como um suposto equívoco para gerar acertos, que nascem a partir de hoje", concluiu. 

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