Temer afirma a jornal ser contra reajuste do Supremo

Conta adicional de R$ 5 bilhões pode gerar uma "cascata gravíssima", diz o presidente

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2016 | 16h26

O presidente Michel Temer, no posto há 11 dias após a conclusão do impeachment de Dilma Rousseff, afirmou que é contra o reajuste dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em entrevista ao jornal O Globo. Não é momento adequado, segundo ele, para gerar uma conta adicional de R$ 5 bilhões e pode ocasionar uma "cascata gravíssima" uma vez que alcança todo o Judiciário, setores da administração e o Legislativo.

Sobre a situação da economia brasileira, Temer classificou como "extremamente preocupante" diante do déficit de R$ 170 bilhões e 12 milhões de desempregados. Afirmou, porém, que antes de recuperar a economia é preciso retomar a confiança. "Quando aprovarmos o teto do gasto, encaminharmos a reforma da Previdência e ela começar a processar no Congresso, o País vai crescer... Se cresce a confiança, cresce a arrecadação, cresce a estabilidade social", disse o presidente, em entrevista à publicação.

De acordo com ele, essas medidas são polêmicas, mas, no fundo, são populares. Destacou que em nenhum momento disse que irá acabar com os direitos dos trabalhadores. Sobre a jornada intermitente, em que as pessoas passariam a trabalhar 12 horas por dia e não mais 8 horas, Temer disse que a mudança possibilitaria ao trabalhador ter outro emprego ou então ficar de folga três dias por semana.

Ele afirmou ainda que o governo não pensa em diminuir os gastos com Saúde e Educação e que as sugestões para a reforma da Previdência "amadureceram muito", mas ainda não estão concluídas. O presidente deseja se reunir com líderes e centrais sindicais e, portanto, não espera que a aprovação venha "cedo". "Duvido que se discuta se tiver segundo turno das eleições", admitiu Temer, que acredita que vai conseguir a aprovação da reforma da previdência "com convencimento" e uma campanha de esclarecimento.

Na visão do presidente, foi um equívoco não ter feito o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, ministro no primeiro momento já que desde então ele exerce funções como se ocupasse o cargo e que a mudança seria necessária para ele ter acesso ao sistema de comunicação do governo. Sobre o programa de concessões, disse que não sabe como será o pacote previsto para ser anunciado essa semana. "O que for possível, concederemos. Sem preconceitos. O que precisa acabar no Brasil é o preconceito", ressaltou ele.

Depois de minimizar os protestos contra o seu governo, Temer disse que vê os movimentos "com naturalidade". Afirmou ainda que o "golpe não pegou" e que a eleição contou com o apoio do PMDB.

Voltou a reforçar que não considera ser candidato à presidência em 2018, mas que não assinaria um compromisso público "porque todo mundo que assina não cumpre".

Sobre o processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação a supostos crimes na eleição de 2014, Temer disse que não participou das arrecadações e que caso a chapa seja condenada e, consequentemente, cassada, usará todos os recursos. Disse também que não considera incoerente do ponto de vista do eleitor o voto ser em uma chapa única e do ponto de vista do julgamento das contas, haver separação. Ele não espera constrangimento de uma eventual delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e informou que não foi procurado pelo peemedebista nos últimos dias embora falasse muito com ele.

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