Temendo 3o mandato, oposição diz que não vota medidas eleitorais

Precavendo-se da possibilidade daaprovação de um terceiro mandato para o presidente Luiz InácioLula da Silva, a oposição decidiu em reunião de cúpula nestasegunda-feira não votar no Congresso nenhuma medida que muderegras eleitorais. "A reeleição foi aprovada, estamos testando a reeleição enão há nenhum motivo para que esses casuísmos que estãoaparecendo, nas palavras de alguns petistas ou de aliados doPT, sejam transformados em realidade no Congresso Nacional",disse a jornalistas o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia(RJ) após o encontro realizado em um hotel de São Paulo. O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), defensor do terceiromandato, está coletando assinaturas para apresentar uma emendaconstitucional que acaba com o mecanismo da reeleição e prevêao mesmo tempo um mandato de cinco anos para o presidente daRepública. Por se constituir em uma mudança da Constituição, amedida embute uma brecha jurídica para que o presidente Lulavolte a concorrer em 2010, quando termina sua atual gestão. Questionado sobre a aprovação da reeleição em 1998, quebeneficiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB),Maia disse que são "questões distintas". "Na reeleição, há um mandato de oito anos com um recall dequatro anos, ela tem um sentido e acompanha alguns sistemaseleitorais no mundo. O terceiro mandato não tem (sentido).Quando abre para o terceiro mandato caminha-se para ter quantosmandatos a sociedade quiser", afirmou Maia. Mesmo que a medida caminhe na Câmara, onde o governo temmaioria, o deputado acredita que ela não passa no Senado. O encontro, que reuniu Fernando Henrique, o presidente doPSDB, senador Sérgio Guerra, e os líderes dos dois partidos naCâmara e no Senado, serviu também para discutir a questão daseleições municipais. Na disputa na capital paulista, os dois partidos saíram doencontro sem uma consenso. Enquanto Guerra permanece com acrença em duas candidaturas separadas --do ex-governadorGeraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM)--,Rodrigo Maia ainda acredita em uma candidatura única em tornode Kassab. (Reportagem de Carmen Munari)

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