'Tem muito barulho em torno da CPMF', diz Lula

Para o presidente, quem precisa da prorrogação do tributo até 2011 é a população, 'não o presidente'

26 de outubro de 2007 | 15h28

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira, 26, a aprovação da CPMF pelo Senado como sendo imprescindível para o País. "Não é o presidente da República que precisa da CPMF, mas sim o povo brasileiro. Esse dinheiro vai se reverter em benefícios para o País", disse. Em um auditório lotado por funcionários do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio, Lula disse em entrevista coletiva que "há muito barulho" em torno da CPMF.   "Todo brasileiro de bom senso sabe que nenhum País, nenhuma empresa, pode dispensar R$ 40 bilhões, sem criar outro imposto", afirmou, após ser indagado por um jornalista se o melhor presente que ele poderia ganhar em seu aniversário neste sábado seria a aprovação da CPMF.     Veja também:    Entenda a cobrança da CPMF  'Todos candidatos à Presidência querem CPMF', diz Lula Lula assiste a filme 3D e brinca sobre álcool na Petrobras   "Não posso negar que fazer 62 anos é bom por um lado, mas por outro eu gostaria de estar fazendo 30. Se bem que aos 30 não tinha a consciência política que tenho hoje. Mas não vou chorar sobre o leite derramado", disse o presidente.     Segundo ele, a CPMF será compensada pela proposta de reforma tributária que será enviada ao Congresso Nacional. "Não acredito que nenhum senador, seja de qual partido for, pense em votar contra a CPMF, pois sabe que isso seria prejudicial ao país", afirmou o presidente, lembrando que o Brasil vive momento "auspicioso" em sua economia. "O País não pode "desperdiçar, como já desperdiçou no passado, a chance de fazer desse século, o século dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, assim como no passado houve o século da Europa e o século do Estados Unidos", comentou.   A entrevista do presidente teve que ser improvisada. Depois de participar de uma reunião de mais de duas horas com a diretoria da Petrobras, Lula se preparava para deixar o Cenpes, quando foi ovacionado pelos funcionários locais, que pediram autógrafos e lhe cantaram Parabéns a Você, pelo aniversário de amanhã. Só então o presidente deu meia-volta e resolveu falar com a imprensa que o aguardava desde 10 horas da manhã.   Interesse de 'todos'   Na última quinta, em meio às negociações com o PSDB para aprovar a proposta que prorroga a vigência da CPMF, o presidente disse que o tributo interessa aos governadores que querem concorrer à presidência em 2010.     "Estou convencido de que todos os governadores do Brasil são favoráveis (à proposta)", disse em entrevista no Palácio do Planalto. "Duvido que tenha um governador contrário ao PAC", completou ele, referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento.   Sem citar diretamente os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, ele disse que o tributo interessa a todos. "Todos aqueles que estão pensando em ser presidente a partir de 2010 querem que seja mantida a CPMF", afirmou.   Ele ressaltou que o tributo não é um tributo criado pelo atual governo. "É um imposto que existe há muito tempo", disse.   A uma pergunta sobre qual era o prazo ideal para votar a proposta que prorroga a CPMF, Lula respondeu que isso será definido pelos senadores.   'Brincadeira'   Lula fez uma brincadeira nesta sexta-feira, 26, ao tentar relacionar o aumento do uso de álcool nos motores dos veículos a uma possível diminuição do consumo de bebida alcoólica. Acompanhado dos ministros de Minas e Energia, Nelson Hubner, e de Ciências e Tecnologia, Sergio Resende, Lula fez uma visita ao Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) para conhecer a tecnologia de produção de etanol a partir do bagaço de cana-de-açúcar, em planta piloto existente no local, e assistiu a um filme 3D sobre o centro de pesquisa.     A visita não pôde ser acompanhada por jornalistas, apenas por profissionais da imagem (cinegrafistas e fotógrafos) e foi gravada pelas câmeras de TV: "O que vocês estão vendo é álcool. Agora, isso aqui foi feito de bagaço de cana, que normalmente é jogado fora, queimado, ou qualquer coisa para as caldeiras das empresas. Mas vocês imaginem que logo logo vocês vão estar, todo mundo, utilizando carro que não precisa mais beber nada, porque vocês vão estar com álcool, sabe, tocando o motor de vocês. Aí então vai diminuir a bebida pelo uso de álcool no motor do carro" (sic), disse o presidente segurando um frasco com o combustível.   A frase foi interpretada de maneira dúbia e gerou dúvidas sobre seu contexto, mas a assessoria de imprensa da Presidência esclareceu que a brincadeira comumente é feita por Lula, relacionando o consumo de álcool automotivo e o consumo de bebida alcoólica. Na prática, técnicos do setor esclarecem que não há qualquer relação entre os dois tipos de consumidores, já que trata-se de processos diferenciados de produção.          

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