"Tem gente que fala demais", diz Dirceu sobre juro

Sem se referir diretamente ao vice-presidente José Alencar (PL), o ministro da Casa Civil, José Dirceu, disse hoje, em Piracicaba, que "tem gente que fala demais" e que é preciso "ouvir mais do que falar". O ministro se referia às críticas sobre a resistência da equipe econômica em reduzir a taxa de juros. O ministro afirmou que quem se "apodera dessa renda transferida do setor produtivo para o financeiro" não é só o setor financeiro. Ele defendeu que pelo menos 10 milhões de brasileiros são rentistas e beneficiados pelos juros altos. Acrescentou, em seguida, que outros milhões são prejudicados. Dirceu insistiu que, para a redução dos juros, é preciso reorganizar o governo, manter o dólar estável em R$ 3,00, e garantir a queda do risco Brasil. "Os juros subiram porque é preciso reverter a onda inflacionária. É evidente que todos do governo queremos a redução dos juros", disse o ministro. Ele comentou que é preciso "serenidade e capacidade de expor o problema ao povo". De acordo com o ministro, "a hora em que começar a baixar os juros, é para baixar mesmo e não para subir de novo três meses depois.O ministro afirmou ainda que a tendência de queda no crescimento econômico será revertida a partir das reformas e programas como investimentos do microcrédito. Ele alegou que as reformas previdenciária e tributária estão "difíceis e disputadas", mas que os líderes do governo no Congresso estão preparados para discuti-las e negociá-las.Sobre as críticas do ministro do STF Maurício Correa com relação à reforma previdenciária, Dirceu afirmou que elas não se justificam. Ele disse que o argumento de que a reforma desestimulará a prestação de concurso para o judiciário "não corresponde aos fatos" porque os funcionários públicos poderão dispor de aposentadoria complementar pública, desde que paguem por ela. "O País não tem recursos. Dirceu participou da abertura de uma feira de equipamentos industriais sucro-alcooleiros, na qual foram expostos produtos de pelo menos 50 expositores de empresas da cidade e de todo o País.

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