Telepar acusada de destruir provas de grampo

A Comissão Especial de Investigação (CEI) criada pelo governo do Paraná para apurar denúncias de escuta telefônica em prédios públicos responsabilizou nesta sexta-feira o ex-presidente da Telepar Brasil Telecom Jorge Moraes de Jardim Filho pela "destruição de elementos de materialidade" que poderiam determinar o autor do grampo no gabinete da ex-secretária da Administração Maria Eliza Paciornik, em 1999.A Telepar preferiu não se pronunciar, alegando desconhecer o teor do relatório.De acordo com o levantamento, a escuta telefônica existia. A secretária suspeitou disso e comunicou ao ouvidor da Telepar, João Luiz Rego Barros.O ex-presidente, respondendo por escrito a alguns questionamentos feitos pela CEI, disse que foi comunicado por Barros e, imediatamente, se realizou a correção, alegando ser isso "praxe na área técnica".Jardim Filho não esclarece de quem partiu a autorização para a correção, sem que isso fosse comunicado antes à polícia, embora alguns depoentes digam ter sido ele.A comissão também concluiu que, em outro caso, de uma escuta comercial, descoberta em abril em Araucária (PR), houve participação de funcionários do Palácio Iguaçu, "que exerciam atividades paralelas a particulares, denominadas vulgarmente como ´bico´, mais precisamente em escutas telefônicas clandestinas".O funcionário Gilberto Maria Gonçalves foi exonerado e responde a processo policial.Quanto ao cabo Antônio Jordão e ao soldado Afrânio de Sá da Polícia Militar, que trabalhavam na Casa Militar e estão afastados das funções, a CEI recomenda que o Comando da PM, com base no relatório, responsabilize-os administrativamente, "se já não o foram, sem prejuízos de outras cominações legais".A comissão também conclui que o sistema de telefonia é vulnerável. "Com a terceirização dos serviços técnicos, o acesso ao distribuidor geral central (DG) ficou incontrolável, propiciando a qualquer pessoa a possibilidade de instalar escuta telefônica clandestina", diz o relatório.O documento será encaminhado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sugerindo criação de mecanismos de controle de acesso "que garantam segurança e sigilo necessários às comunicações telefônicas".O Ministério Público (MP) também receberá uma cópia do relatório para possível ação civil pública.

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