ALEJANDRO ERNESTO/EFE
ALEJANDRO ERNESTO/EFE

Telegramas indicam que Lula agiu em favor da Odebrecht no exterior

Mensagens diplomáticas trocadas entre o Itamaraty e chefes de postos brasileiros em outros países indicariam que o ex-presidente teria agido em Portugal, Cuba e África

José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2015 | 11h52

SÃO PAULO - Uma série de telegramas diplomáticos trocados entre o Itamaraty e chefes de postos brasileiros no exterior indicariam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria agido em Portugal, Cuba e África em favor de empresas brasileiras, entre elas a Odebrecht, segundo o jornal O Globo. Os telegramas foram obtidos pelo jornal por meio da Lei de Acesso à informação.

Em uma correspondência enviada em 2014 pelo embaixador brasileiro em Lisboa, Mario Vilalva, se encontra um comentário sobre a atuação de Lula em Portugal. No documento, Vilalva diz que "repercutiu positivamente na mídia" a declaração de Lula dizendo que empresas brasileiras devem se engajar na aquisição de portuguesas em processo de privatização e completa: "O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro". O embaixador não explicita, no telegrama, se o pedido de Lula a Coelho foi feito de maneira pública ou particular.

Em Cuba, Lula teria participado, em 2011, de almoço oferecido por Marcelo Odebrecht, além de encontros com Raul e Fidel Castro e de um jantar em sua homenagem oferecido pelo chefe do posto diplomático. Os ex-ministros José Dirceu e Franklin Martins acompanhavam Lula na viagem.

Em 2014, o encarregado de negócios brasileiros em Cuba, Marcelo Câmara, cita uma visita de Lula ao país "em atendimento a convite do governo local e com apoio do grupo COI/Odebrecht". O motivo da visita seria, segundo o telegrama, "a prospecção de iniciativas para aperfeiçoamento da matriz energética à zona especial de Mariel e o reforço da cultura de soja no país". O petista foi acompanhado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT) e do ex-ministro Silas Rondeau.

Outro episódio relatado pelo jornal é o agendamento de uma reunião do embaixador do Zimbábue no Brasil, Thomas Bvuma, com o BNDES em 3 de maio de 2012. Segundo o telegrama enviado pelo Itamaraty à representação brasileira no país africano, a reunião foi "organizada a pedido do ex-presidente Lula, que se dedicará ao desenvolvimento de infraestrutura na África.

Em nota, a assessoria do Instituto Lula diz que "o ex-presidente não recebeu, não recebe e jamais receberá qualquer pagamento de qualquer empresa para dar consultoria, fazer lobby ou tráfico de influência" e que os pagamentos que recebeu da Odebrecht, e de outras empresas, foram feitos por palestras com nota fiscal.

Sobre o caso em Portugal, o Instituto argumenta que o ex-presidente "comentou o interesse da empresa brasileira pela empresa portuguesa" que já era público. As visitas a Cuba, segundo a assessoria de Lula, foram públicas e "amplamente divulgadas". Assim como a reunião com o BNDES onde, segundo Lula, participaram representantes de vários países africanos.

Mais conteúdo sobre:
LulaOdebrechtItamaraty

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.