Teleconferência fez contraponto a Davos

Os participantes do Fórum Social Mundial conseguiram, com a teleconferência desta tarde, em que debateram com representantes do Fórum Econômico Mundial, atingir seu objetivo: fazer um contraponto à tradicional reunião de Davos, na Suíça, questionando o neoliberalismo e a globalização.O encontro evidenciou o desconforto dos quatro representantes do Fórum Econômico que foram duramente criticados e, em alguns momentos, até ofendidos, como quando foram chamados de "monstros" e "hipócritas" por uma argentina.O conselheiro-chefe da Organização das Nações Unidas (ONU), John Ruggie, demonstrou seu mal-estar, ao dizer: "Fomos convidados para debater a pobreza, mas a tentativa se voltou contra nós e estamos sendo os campeões do capitalismo em Davos e não somos". O diretor do Programa de Desenvolvimento da ONU, Mark Malloch, também participou do debate. Durante as quase duas horas de confronto, o mega-investidor George Soros foi o alvo principal das críticas, mas não perdeu o controle da situação, e fez ironias, como a alusão de que a pobreza, em alguns países africanos que tem riquezas naturais, vem em consequência da corrupção. Num deslize ou por franqueza, Soros se colocou no papel de "especulador", quando explicou que tem interesse limitado em discutir a criação da taxa Tobin para tributar operações financeiras internacionais. "Eu compreendo a raiva que vocês têm da nossa posição", admitiu o empresário sueco Bjorg Edlud, ao tentar responder a uma pergunta. Ele chegou mesmo a citar um caso pessoal, a de que um cunhado seu teria perdido o pai durante a ditadura argentina, para demonstrar que entendia a posição dos integrantes do Fórum.Isso, minutos depois que Hebe de Bonafini, representante das Mães da Praça de Maio, perdeu o controle e chamou os representantes de Davos de "monstros" e "hipócritas". O confronto via satélite entre os participantes do dois fóruns foi transmitido pela TV Educativa do Rio Grande do Sul. Vários telões no prédio da PUC, onde se realiza o Fórum Social, exibiram o debate. Centenas de pessoas acompanharam a discussão em um auditório, vaiando e aplaudindo constantemente as intervenções.

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