Joédson Alves / EFE
Joédson Alves / EFE

Teich é o ministro da Saúde que menos tempo comandou a pasta desde a redemocratização

Nelson Teich pediu demissão do cargo menos de um mês após assumir a pasta

Samuel Lima, especial para o Estado, e Alessandra Monnerat, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 17h20

Após deixar o Ministério da Saúde nesta sexta-feira, 15, Nelson Teich se tornou o ministro que menos tempo ficou no comando da pasta desde a redemocratização. Ele ficou no cargo por apenas 29 dias. O segundo na lista das permanências mais curtas comandou a área por um período sete vezes mais longo que Teich: Marcelo Castro foi ministro por 205 dias, de outubro de 2015 a abril de 2016. Ele saiu do governo com a iminência do impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Outros três nomes lideraram o ministério por menos tempo que Teich, mas todos eram interinos: Saulo Pinto Moreira ficou por 10 dias à frente da pasta em 1993; José Agenor Álvares da Silva por 15 dias em 2016; e José Goldemberg por 19 dias em 1992. Outro interino chegou a permanecer mais tempo no comando da Saúde que Teich: José Carlos Seixas ficou por 35 dias em 1996.

Em média, os ministros da Saúde desde 1985 ficaram 470 dias no cargo, ou 15 meses. O nome com permanência mais longa na pasta foi José Serra, que comandou a área de março de 1998 a fevereiro de 2002 — 1.422 dias. Ele só saiu do governo de Fernando Henrique Cardoso para disputar a Presidência.  

O Estadão fez um levantamento com informações da galeria de ministros da Saúde, no site oficial da pasta, e dados do Observatory of Social and Political Elites of Brazil, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O professor Adriano Codato, que organizou a base de dados, comentou que a permanência de um ministro por menos de três meses é um evento “muito raro” e que a situação geralmente é reservada a gestores que assumem as pastas enquanto o titular não é definido. 

De memória, entre todos os ministérios, Codato lembra-se apenas do ex-presidente do Banco Central Francisco Lafaiete de Pádua Lopes com passagem mais rápida que Teich. O economista ficou no cargo apenas 20 dias, entre 13 de janeiro e 1º de fevereiro de 1999, no início do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Com a saída de Teich, o número de ministros demitidos durante o governo de Jair Bolsonaro aumentou para nove. São eles: Gustavo Bebianno (Secretaria Geral), Ricardo Vélez (Educação), Santos Cruz (Secretaria de Governo), Floriano Peixoto (Secretaria Geral), Osmar Terra (Cidadania), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública).

Dessa lista, nenhum ficou tão pouco tempo no governo quanto Teich. Bebianno comandou a Secretaria-Geral da Presidência por 48 dias. Luiz Henrique Mandetta, que antecedeu Teich no ministério da Saúde, liderou a área por 470 dias. 

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