Adriana Lorete/Colabora.
Adriana Lorete/Colabora.

Tecnologia ajuda jornais a entenderem sua audiência, diz editora do 'Washington Post'

Everdeen Mason disse que parcerias externas com empresas de tecnologia podem impulsionar os projetos das redações

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 21h15

RIO - As novas tecnologias de comunicação permitem que os jornais expandam seus públicos para além dos leitores tradicionais das edições impressas, ligados a um território. “Nosso público já não está mais preso por fatores geográficos, podem nos consumir onde quer que estejam”, apontou a editora de audiência do Washington Post, Everdeen Mason. Ela falou nesta quarta-feira, 13, no terceiro e último dia da Conferência Digital Media LATAM, da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), no hotel Grand Hyatt, zona oeste do Rio de Janeiro.

“Nesse ecossistema é mais importante do que nunca evoluir as estratégias de distribuição”, disse ao analisar as novas possibilidades do fazer jornalístico.

A editora ressaltou a importância de entender a audiência do veículo antes de elaborar pautas e projetos especiais. Ela ingressou no jornal norte-americano há quatro anos, quando começou sozinha a comandar esse tipo de trabalho. Hoje, Aberdeen tem uma equipe de seis pessoas. 

Na apresentação realizada na conferência, a jornalista elencou alguns tipos de parceria que podem ser feitas para aprimorar a atividade jornalística nos dias de hoje. Citou parcerias com repórteres para usar novos elementos de narrativa; parcerias externas com empresas de tecnologia para impulsionar os projetos; parceria interna entre a redação e o setor de publicidade para vender melhor o produto. 

Outro jornal estrangeiro considerado exemplo de sucesso de transformação digital, o argentino La Nación, foi representado na conferência pelo diretor geral de redação, José Del Rio. Ele também reforçou a necessidade de entender detalhes da audiência — como, por exemplo, quem consome material do site em cada horário do dia. 

“A partir de então começamos a criar conteúdo. E criamos de duas maneiras: numa velocidade rápida, como pensamos habitualmente os jornalistas, e outra, com um pensamento mais lento, na qual podemos analisar como pensa nossa audiência e sobretudo as dificuldades que temos para chegar nela”, disse.

Um ponto importante, comentou, é entender como criar coisas novas a partir do modelo clássico de jornalismo . Ou seja, como contar em novos formatos algumas notícias de assuntos que sempre fizeram parte do noticiário. 

A fim de exemplificar o que falou, Del Rio mostrou um projeto realizado pelo jornal na última eleição argentina em que os candidatos respondiam, em vídeos na seção Stories do Instagram, a perguntas enviadas pelos leitores. Segundo ele, o La Nación alcança cerca de 4,1 milhões de pessoas por mês nessa plataforma. 

O dia de encerramento da conferência também contou com um painel sobre podcasts, do qual participaram representantes do site Slate (Estados Unidos) e da Prisa Radio (Espanha).  Também houve apresentações da start up brasileira Jota, focada em cobertura do Judiciário, e da editora norte-americana McClatchy. 

Os outros dias do evento tiveram seminários em que o Estado, por meio da diretora digital, Luciana Cardoso, contou como tem sido a experiência de transformação digital da redação.

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