WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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TCU pede esclarecimentos a Bendine sobre atrasos no Comperj

Presidente da Petrobrás e outros diretores da estatal foram convocados para explicar atrasos em obra que, segundo a Corte de Contas, teriam causado prejuízo de cerca de R$ 1,7 bilhão

André Borges , O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 17h50

Brasília - O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira, 22, convocar o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, para prestar esclarecimentos sobre o atraso na instalação de equipamentos de grande porte para utilização no complexo petroquímico Comperj, no Rio. 

Além de Bendine, serão ouvidos outros membros da diretoria executiva da Petrobrás: João Adalberto Elek Junior, diretor de Governança, Risco e Conformidade; Ivan de Souza Monteiro, diretor da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores; Hugo Repsold Júnior, diretor de Gás e Energia; Solange da Silva Guedes, diretora de Exploração e Produção; Jorge Celestino Ramos, diretor de Abastecimento; Roberto Moro, diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais; e Antônio Sérgio de Oliveira Santana, da diretoria Corporativa e de Serviços.

A determinação do tribunal é de que, no prazo de até 15 dias, todos prestem informações sobre que "ações que têm sido adotadas, visando à solução dos graves problemas existentes no empreendimento ora fiscalizado".

A auditoria do TCU se debruçou sobre a compra e suprimento de "equipamentos críticos" denominados UHOS (ultra heavy over size) que serão utilizados no processo de refino do complexo petroquímico. Esses materiais estão estocados no porto do Rio de Janeiro (RJ), aguardando a conclusão das obras de infraestrutura necessárias para transportá-los até o canteiro de obras do complexo. São as peças principais do processo de refino do petróleo, essenciais para a conclusão das obras das unidades de processo e partida do empreendimento.

A Petrobrás optou por adquirir os equipamentos diretamente no exterior, separadamente dos contratos de construção das unidades de processo, por serem considerados pela estatal equipamentos críticos, em vista do impacto que haveria nos prazos e, consequentemente, nos custos do empreendimento em caso de atraso no fornecimento. 

Por causa de limitações para o transporte desses equipamentos até o Comperj pelas ruas existentes, tendo em vista as suas dimensões e peso, a Petrobrás optou por uma solução que previa a construção de um sistema composto por um píer de atracação na praia da Beira em São Gonçalo (RJ), dragagem do canal de acesso ao píer, uma via de acesso terrestre entre o píer a ser construído e a rodovia BR-493 (Via UHOS) e uma estrada entre a BR-493 e o Comperj (Estrada Convento). 

"Embora entregues no porto do Rio de Janeiro nos prazos previstos, o transporte para os canteiros de obras atrasou significativamente em relação aos prazos contratuais de implementação das unidades de processo, resultando na necessidade de replanejamento dos serviços e encarecendo as obras", declarou o ministro relator Raimundo Carreiro, em seu voto.

Segundo o TCU, o descompasso entre as "janelas de fornecimento" dos equipamentos UHOS e a conclusão das obras do sistema de transporte já ocasionou um acréscimo nos custos de implementação do Comperj da ordem de R$ 1,7 bilhão.

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