ANDRE DUSEK | ESTADAO CONTEUDO
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TCU investiga usinas contratadas por senador no governo FHC

Compra de turbinas a gás foi autorizada por Delcídio Amaral quando ele era diretor da Petrobrás e filiado ao PSDB

Fábio Fabrini / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 07h51

O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), mandou abrir ontem uma investigação sobre a compra de turbinas a gás para usinas termoelétricas, autorizada pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS) quando era diretor da Petrobrás no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na época, o congressista era filiado ao PSDB e chefiava a área de Gás e Energia da estatal.

Os equipamentos foram adquiridos da multinacional francesa Alstom. Em depoimentos de delação premiada, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que Delcídio recebeu propina da empresa no período em que era diretor (1999-2001).

Delcídio está preso desde 25 de novembro, acusado de tentar atrapalhar as investigações sobre seu envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás. Numa gravação que serviu de prova contra o senador, ele oferece uma mesada e propõe uma rota de fuga ao ex-diretor Internacional da companhia petrolífera Nestor Cerveró, atualmente detido no Paraná. O ex-diretor Internacional auxiliava Delcídio quando ele comandava a Diretoria de Gás e Energia.

No despacho em que justifica a investigação, o ministro do TCU menciona reportagem publicada pelo Estado em 27 de novembro. Como mostrou a reportagem, Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró que gravou Delcídio, revelou a investigadores que o senador “ligou o alerta” sobre a delação do ex-diretor Internacional da Petrobrás quando soube que ele poderia fazer menção à multinacional Alstom nos depoimentos à força-tarefa da Lava Jato.

Conforme Paulo Roberto Costa, para lidar com os apagões no fim do governo FHC, foram adquiridas turbinas para as termoelétricas em quantidade bem superior à necessária.

Em seu despacho, Zymler também cita reportagem da Folha de S. Paulo, de ontem, que diz que quatro usinas térmicas contratadas pela Petrobrás durante a gestão de Delcídio como diretor custaram R$ 5 bilhões, conforme cálculos da companhia e do TCU.

A defesa de Delcídio não se pronunciou. A Alstom não comentou as denúncias. O Estado não conseguiu contato com o ex-presidente ontem. À Folha, FHC disse que, se houve irregularidade em seu governo, foi por “conduta imprópria de Delcídio, não corrupção organizada”.

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