TCU fará devassa nos contratos do governo Lula

O Tribunal de Contas da União (TCU) pretende fazer uma devassa em milhares de contratos assinados de 2003 para cá pela administração direta e pelas estatais com todos os prestadores de serviços ao governo federal, não importando se houve licitação ou dispensa de concorrência, na modalidade carta-convite. A atenção do TCU para os contratos será redobrada depois da entrevista do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira ao jornal O Globo que levanta suspeitas de que consórcios de empresas abasteceram o mensalão. Ele deixou o partido em julho, após a descoberta de que recebera um jipe Land Rover da GDK, que trabalhou para a Petrobrás.Pereira contou que o plano do empresário Marcos Valério era faturar R$ 1 bilhão durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na mesma entrevista, o ex-dirigente afirmou que o esquema montado por Valério e pelo PT para assegurar base parlamentar para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, viria de empresas. Ele não quis indicá-las, apenas disse que eram muitas. "As empresas entre si fraudam as coisas. Às vezes o governo não persegue e é só isso. Elas se associam em consórcios, combinam como vencer (licitações)."SuspeitasSilvinho, como é conhecido o ex-dirigente do partido, disse que o sistema pode continuar em operação, porque atrás de Marcos Valério estariam "outros cem Marcos Valérios". As recentes CPIs feitas pelo Congresso, como a dos Correios e a dos Bingos, levaram o TCU a investigar contratos bilionários dos Correios, como os feitos com empresas aéreas para o serviço postal noturno, franquias, fornecimento de computadores e embalagens. Também está sob investigação o contrato milionário da Caixa Econômica Federal com a empresa GTech, que tinha o monopólio do fornecimento de computadores usados nas casas lotéricas.Outra empresa pública que passou por uma investigação rigorosa foi o Banco do Brasil, que assinou contratos sem licitação com a Cobra (Computadores do Brasil) e patrocinou shows musicais destinados a arrecadar dinheiro para o PT, além de ser suspeita de ter ordenado o pagamento adiantado, para Marcos Valério, de cerca de R$ 20 milhões para a publicidade da Visanet. Foi também o Banco do Brasil que liberou mais de R$ 20 milhões para que o PT comprasse quase 6 mil computadores para todos os seus diretórios nos municípios. Um ministro do TCU disse à Agência Estado que, além das investigações já feitas nos contratos de estatais, a fiscalização avançará sobre áreas as mais diversas, como a Petrobrás, a BR Distribuidora, a Braspetro, a Transpetro, o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, a Eletrobrás, a Infraero, o Serpro, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e todos os ministérios, entre outros. O mesmo ministro lembrou que, além de Sílvio, que agora forneceu pistas sobre a forma de arrecadação montada por Marcos Valério e pelo PT, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) revelou, durante depoimento na CPI dos Correios, dados concretos sobre onde o empresário buscaria dinheiro. De acordo com Jefferson, Marcos Valério garantiu às cúpulas do PT e do PTB que poderia conseguir R$ 100 milhões para os dois partidos numa simples operação de troca de depósito dos mais de U$ 600 milhões que o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) tinha num banco da Suíça e noutro na Inglaterra.Para isso, disse Jefferson, Marcos Valério sugeriu que o IRB depositasse o dinheiro no Banco Espírito Santo, de Portugal. A diretoria desse banco visitou o então ministro da Casa Civil José Dirceu, no Palácio do Planalto. Jefferson assegura que foi para fechar negócios; Dirceu jura que não.Outro plano que poderia render dinheiro para os partidos aliados, sempre sob o comando de Marcos Valério, seria a compra da Portugal Telecom. Durante a CPI dos Correios, as viagens do empresário a Portugal para tratar desse assunto começaram a ser investigadas. Mas divisões internas e dificuldades para avançar nas investigações levaram a CPI a deixar essa operação de lado.

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