Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

TCU deve livrar Graça Foster de bloqueio de bens nesta quarta

Expectativa é de que ministros devem manter a decisão de livrar a ex-presidente da estatal da indisponibilidade de bens, mas restrição deve ser aplicada a outros ex-dirigentes

Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 21h45

Brasília - O Tribunal de Contas da União (TCU) retoma nesta quarta-feira, 11, o julgamento de processo que discute o bloqueio de bens de executivos da Petrobrás por supostas irregularidades na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Os ministros devem manter a decisão de livrar a ex-presidente da estatal, Graça Foster, da indisponibilidade patrimonial. Mas a restrição deve ser finalmente aplicada a outros ex-dirigentes da companhia envolvidos no negócio.  

A apreciação do processo foi suspensa há cinco meses por um pedido de vista do ministro Aroldo Cedraz. As medidas de bloqueio já tomadas, em relação a 11 executivos, estão suspensas até a apreciação definitiva do processo, que deve ocorrer a partir das 14h30.


Em agosto, cinco integrantes do plenário haviam votado contra a indisponibilidade do patrimônio de Graça e dois a favor. O Estado apurou que, na sessão desta quarta, a tendência é que o ministro Augusto Nardes, o último a se manifestar, vote para que a restrição seja aplicada à ex-presidente. Isso, no entanto, não é suficiente para alterar o placar.

Para uma reviravolta no caso, é necessário que a maioria do plenário mude de opinião diante, por exemplo, da apresentação de fatos novos. Conforme o Estado mostrou no mês passado, Cedraz apresentou aos demais ministros um despacho, no qual propõe uma ampla revisão do prejuízo apontado no negócio e da lista de executivos punidos. Segundo fontes do tribunal, a análise dessas sugestões deve ficar para uma fase posterior. 

Como assumiu a presidência da corte em 1º de janeiro, embora tenha pedido vista do processo, Cedraz não participa mais de julgamentos. Isso só ocorreria nesta quarta-feira numa hipótese excepcional. O Estado fez questionamentos ao ministro, mas ele não se pronunciou. 

Apesar de uma mudança no quadro ser improvável, era grande o movimento de advogados dos envolvidos no TCU nesta terça-feira. O ex-procurador da República Aristides Junqueira, que representa alguns executivos, entre eles o ex-diretor financeiro da Petrobrás Almir Barbassa, percorreu gabinetes distribuindo defesas.  

Em julho, o TCU apontou prejuízo de US$ 792 milhões na aquisição de Pasadena, feita em duas etapas, entre 2006 e 2012. A corte determinou o bloqueio dos bens de 11 dirigentes e ex-dirigentes da Petrobrás para resguardar eventual ressarcimento ao erário. A discussão sobre a indisponibilidade patrimonial foi novamente pautada, pois, devido a um suposto erro, a atuação de Graça Foster e do ex-diretor Internacional Jorge Zelada no negócio não havia sido avaliada.

Os dois participaram, em 2009, da decisão de postergar o cumprimento de sentença arbitral que mandava a Petrobrás comprar a segunda metade da refinaria - a primeira havia sido adquirida em 2006. Para o tribunal, o adiamento implicou o pagamento de juros quando o negócio foi finalmente concretizado, em 2012, causando, só nessa etapa, um prejuízo de US$ 92 milhões. 

A maioria dos ministros do TCU entende que não cabe, a priori, bloquear os bens dos executivos que participaram dessa fase do negócio. Para eles, não houve dolo ou culpa na decisão de adiar o cumprimento da sentença, com base em pareceres jurídicos. Mantidos os votos originais, Graça e Zelada serão apenas chamados a apresentar explicações sobre sua participação numa tomada de contas especial (TCE) - tipo de processo que visa confirmar débitos e responsabilidades. Uma eventual punição dependerá de análise futura, após apresentadas as defesas.

Os ministros devem excluir da lista de responsáveis pelas irregularidades o ex-presidente da Petrobrás América Renato Tadeu Bertani, pois ele não teria participado das decisões de compra da refinaria. A ele, é atribuído um débito de US$ 39 milhões. No lugar, devem ser incluídos os também ex-presidentes da estatal nos Estados Unidos Alberto da Fonseca  e os ex-presidentes da Petrobrás América, Alberto da Fonseca Guimarães e José Orlando de Azevedo.

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