Távola quer resgatar o debate político

Pronto para assumir a liderança do governo no Senado, o tucano carioca Artur da Távola voltará à Casa com disposição para dialogar, mas também para enfrentar a oposição.?Vou tentar recolocar o debate político, que desapareceu do Brasil. No último ano, o Senado passou por fatos traumáticos, e a oposição operou na linha de um moralismo vingador udenista?, diz o futuro líder.Ele admite que, embora tenha perdido a grande maioria das votações no Legislativo, a oposição ?ganhava no debate político?.Na política fluminense, Artur da Távola é um dos nomes do PSDB na lista de pré-candidatos ao governo do Estado. A exoneração de Artur da Távola, secretário municipal das Culturas do Rio, na prefeitura do pefelista César Maia, foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial.Presidente ?ficou sozinho?Para Artur da Távola, o presidente Fernando Henrique ?ficou muito sozinho? diante das críticas permanentes dos adversários. O senador diz que a oposição tentou disseminar ?um sentimento de raiva? contra o presidente.Távola volta à capital federal para assumir o lugar que coube até maio deste ano ao ex-tucano José Roberto Arruda, obrigado a renunciar para não ter o mandato cassado, no processo que investigou a violação do painel de votação do Senado.O senador Romero Jucá (PSDB-RR) ocupou interinamente a liderança nos últimos quatro meses. Artur da Távola considera encerrada a fase das denúncias e das rivalidades entre os partidos, embora ainda esteja em curso o processo contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) no Conselho de Ética.Perda de espaço?Houve uma crise aguda, mas a tendência é o Senado voltar a ser uma Câmara Alta.? Artur da Távola garante que, ao ser convocado pelo presidente Fernando Henrique para ocupar a liderança do governo, não falou em sucessão estadual.Apenas reconhece que seu nome está entre os cotados para ser apresentado à coligação com o PFL e disputar a indicação para candidato a governador, enfrentando o PSB de Anthony Garotinho.Os pefelistas já lançaram o nome do deputado federal Eduardo Paes, hoje secretário municipal de Meio Ambiente. Esvaziado desde o fim do governo tucano de Marcello Alencar, em 1998, o PSDB vem perdendo espaço, prefeitos e deputados estaduais no Rio.OpçõesAgora, o partido está entre duas opções opostas para escolher o pré-candidato ao governo. De um lado, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, que tem apoio de Marcello Alencar. De outro, Artur da Távola.O senador cita ainda o nome do deputado federal Ronaldo Cezar Coelho, secretário municipal de Saúde. Depois de uma rápida passagem pelo PMDB, Zito voltou ao PSDB e não esconde a intenção de se candidatar ao governo.Reeleito com 82% dos votos, faz política assistencialista e tem como ponto fraco a ser explorado pelos adversários o fato de ter sido acusado do assassinato de um secretário municipal, há oito anos.Possível candidatoArtur da Távola, fundador do PSDB, foi presidente do partido e candidatou-se a prefeito do Rio em 1988. Obteve apenas 4,9% dos votos e ficou em quarto lugar na disputa vencida por Marcello Alencar, que na época era do PDT.Para os tucanos de fora do Rio, preocupados em abrir espaço nos Estados para o candidato do governo à Presidência da República, a liderança no Senado pode fortalecer Távola como possível candidato ao governo estadual.?Não fui chamado de volta ao Senado pensando na eleição do Rio?, assegura o futuro líder.?Ser escolhido líder no Senado significa que Artur da Távola está prestigiado no governo, mas aqui no Rio é outra questão?, diz Marcello Alencar, que espera disputar uma vaga de senador.?Tenho lançado com firmeza e esperança o nome de Zito?, afirma Alencar. Para o senador Pedro Piva (PSDB-SP), ?o Rio não pode desconhecer a presença de um nome como Artur da Távola?.

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