Tasso muda discurso sobre entrada da Venezuela no Mercosul

Tucano, que é relator do tema no Senado e contrário à adesão, deu sinais de que pode mudar de posição

Agência Brasil,

27 Outubro 2009 | 17h49

Contrário à adesão da Venezuela ao Mercosul, o senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), sinalizou nessa terça-feira, 27, que pode mudar de posição. Mas para o tucano é fundamental haver uma nova postura do governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Para ele, Chávez deve dar garantias de que vai respeitar os princípios democráticos.

 

Relator do tema na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Tasso disse que é necessário obter "garantias concretas" de que o "modelo autoritário" representado por Chávez não será exportado. "Se for possível uma construção em que se aprove a entrada da Venezuela no Mercosul desde que haja garantias concretas de que essa evolução e exportação de modelo autoritário e preconceituoso não será feito", disse, em audiência pública na comissão.

 

"Estou disposto a estudar para que possamos chegar a um acordo. Mas uma coisa concreta. Estamos dispostos a estudar isso de maneira que possa ser concreta e aceitável diante da nossa visão", acrescentou o senador.  

 

A manifestação de Tasso ocorreu pouco depois do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, ter criticado Chávez. Contrário ao governo do presidente venezuelano, Ledezma disse que Chávez desrespeita a democracia.

 

Para Ledezma, a adesão da Venezuela ao Mercosul deve obrigar Chávez a seguir as regras do protocolo do bloco que determina o respeito aos princípios democráticos.

 

"Sou partidário da integração, creio nessa integração. Não se trata de ter ou não Chávez no poder. Quando se discutia o ingresso da Venezuela, estava na Presidência o senhor Rafael Caldeira", afirmou Ledezma.

 

A votação do relatório de Tasso, que propõe o veto ao ingresso da Venezuela por acreditar que o governo Chávez não é democrático, está marcada para quinta-feira (29). O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), fez um voto em separado argumentando que as razões econômicas é que devem motivar os votos dos parlamentares.

 

Os governos da Argentina e do Uruguai já autorizaram a entrada da Venezuela no bloco. Mas o governo do Paraguai adiou a discussão para 2010, depois que for definida a decisão brasileira.

 

Depois de votação na comissão, o relatório sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul deve ser votado no plenário do Senado.

Mais conteúdo sobre:
Chávez Venezuela Mercosul

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.