Tasso impõe condição para depor na CPI do banco do Ceará

O governador do Ceará, Tasso Jeressati (PSDB-CE), disse hoje que a CPI do Banco do Estado do Ceará (BEC) está sendo criada para tentar inviabilizar a candidatura dele à Presidência da República. ?Essa história está aí a não sei quantos anos e só agora, na véspera de uma eleição, quando eu sou provável candidato é que sai. Por quê nesse exato momento??, questionou. Ele até aceitaria depor, caso fosse convocado. Mas condicionou: ?Quero que tenha alguma coisa comigo, que realmente tenham indícios. Na base do chute eu não vou não?.A CPI do BEC está sendo instalada na Assembléia cearense com o objetivo de apurar supostas irregularidades no banco, no período de 1995 a 1998, correspondente ao segundo mandato de Tasso. Os partidos têm até a próxima quinta-feira para indicar representantes. Na próxima sexta-feira, será oficialmente instalada.Na opinião do governador, a CPI está sendo usada como um recurso ?mesquinho de politicagem?. Tasso desafiou o presidente da Assembléia, Wellington Landin (PSB), ex-aliado político dele, a divulgar a chamada Folha 8, que, segundo Tasso, diz respeito a prestadores de serviços do legislativo que ganhariam sem trabalhar.Segundo ele, a tal folha é o que ?há de mais imoral em se tratando de desvio de recursos públicos? e consumiria mensalmente cerca de R$ 1,5 milhão.Landim se defendeu afirmando que a CPI está sendo instalada porque só agora conseguiu o número de assinaturas necessário. Segundo ele, não há articulação alguma contra o governador. ?Veja, a CPI teve 13 assinaturas. Semana passada, 24 deputados derrubaram vetos dele. Se fosse uma articulação, como se quer passar para a sociedade, acho que os 24 teriam assinado a CPI, e não apenas 13?, afirmou, referindo-se a sessão de sexta-feira, na qual Tasso teve seus vetos à mensagem de aumento do servidor público estadual derrubados.Sobre a Folha 8, Landim disse que ela existe há mais de 12 anos, é prevista por lei, através da qual o setor público é autorizado a realizar despesa de serviço prestado por pessoa física. ?Não é divulgada da mesma forma que não são divulgadas as outras. Eu cumpro a lei e não posso chegar e expor essa folha para a sociedade?, disse, informando em seguida que custa mensalmente R$ 400 mil e que todas as pessoas trabalham e batem ponto.

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