Tasso faz a defesa de Palocci e diz que aliados enfraquecem o ministro

Em discurso na tribuna, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) acusou hoje aliados do Planalto de transformarem a crise política numa crise econômica, "provocada por aqueles que apenas buscam fortalecer-se no governo, pondo em risco a estabilidade econômica". Enfático, Tasso afirmou que as dificuldades no País não são geradas pela política do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, mas sim pelas "relações promíscuas de escalões inferiores do governo e do PT com grupos absolutamente descomprometidos com o interesse público". E denunciou: "Alguns com raízes até no crime organizado." "Se a atual política econômica merece reparos e críticas por sua falta de ousadia e criatividade, tem o mérito de ter controlado o processo inflacionário e recuperado a confiança internacional", disse. "A desestabilização do ministro Palocci acarretaria o mais absoluto caos neste momento." Para o senador, o momento é extremamente grave porque "quem se aproveita de quaisquer questiúnculas para prejudicar a governabilidade é a própria base aliada do governo". "Não pretendemos ensinar o PT a governar, mas não seguiremos a nefasta lição de oposição dos petistas, que sempre apostaram no fracasso do governo como a melhor forma de agir e hoje se afunda em um poço de contradição." Tasso foi igualmente incisivo ao assegurar que o PSDB não aceitará a "mexicanização da política brasileira", que estaria em curso pelas tentativas do Planalto de se fechar em um único bloco de apoio. Segundo ele, falta ao governo adotar um projeto claro de infra-estrutura, além de adotar um marco regulatório para definir a atuação do Estado na economia, garantindo a "autonomia e independência" das agências reguladoras. "Insistimos, ainda, na crítica à míope e perversa política de juros altos adotada pelo Banco Central, que se prolonga injustificadamente." Tasso foi aparteado pelos petistas Tião Viana (AC), Eduardo Suplicy (SP) e pelo líder do governo, Aloizio Mercadante (SP). Tião disse que divergia da parte do discurso em que o tucano ignorava resultados positivos da economia. Na mesma linha, Suplicy afirmou que a prova da melhora no setor estaria em dados da Fiesp sobre a criação de 7 mil empregos. Mercadante se referiu, mais uma vez, à "herança pesada" deixada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. O senador tucano frisou que o PSDB mantém-se fiel ao perfil de oposição responsável. Daí porque exige "completa e rigorosa investigação" das denúncias relacionadas ao ex-assessor de Assuntos Parlamentares Waldomiro Diniz.

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