Tasso diz que participação do PSDB no governo Lula é ´óbvia´

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse nesta terça-feira que o papel do PSDB no governo Lula não deve ser discutido na reunião da Executiva Nacional que acontece nesta noite, mesmo porque, segundo afirmou, a posição do partido é "óbvia". A exemplo do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos não vão recusar a um eventual convite de Lula para participar, desde que haja uma agenda nacional a ser examinada no Congresso. "Somos de oposição e absolutamente incooptáveis. Mas somos civilizados e conversaremos sempre para tratar de assuntos de interesse do País. Mas não aceitamos aderir ou fazer acordos amplos", disse. Em relação à dívida que o partido terá de assumir por conta das despesas com a eleição presidencial, no valor de R$ 19,904 milhões, o senador afirmou ser "bastante equacionável". "Estou tranqüilo e não é nada que tire o sono", disse. Para o pagamento da dívida, Tasso informou que o partido já está procurando fornecedores para solicitar descontos e parcelamentos da dívida para o ano que vem. Além disso, os tucanos vão usar recursos do PSDB e pedir novas contribuições. "Não temos ONGs nem fornecedores da Petrobras, então a coisa fica mais difícil", alfinetou o senador tucano. Novo programaTasso disse que a Executiva Nacional do partido vai iniciar a discussão sobre o novo programa da legenda, que será coordenado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, um dos problemas identificados pela cúpula tucana nas eleições de outubro é que o PSDB não conseguiu passar para a opinião pública a diferença de seu projeto com o do PT, sobretudo na polêmica sobre as privatizações que dominaram o debate no segundo turno. "Precisamos rediscutir o papel da social-democracia e atualizar o nosso programa, que foi feito há 20 anos. Hoje a situação e as ideologias mudaram, caiu o muro de Berlim e o nosso programa é ainda daquela época", afirmou Tasso, antes da reunião da Executiva, a primeira depois do resultado eleitoral. Depois de reformular o novo programa, Tasso e Fernando Henrique pretendem organizar um congresso nacional do PSDB, provavelmente em julho, para aprovar as propostas. Antes disso, FH organizará uma série de encontros e debates, convidando, inclusive, pensadores de outros países.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.