Tasso diz que Dirceu está "descontrolado" e sugere férias

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse estar "preocupado com o estado psicológico" do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que estaria "descontrolado" no cargo, sugerindo até umas férias de 30 dias. Aparentemente calmo, o senador respondeu ao ministro que, em entrevista ao colunista Merval Pereira, de "O Globo" criticou o discurso feito na semana passada pelo cearense, na tribuna do Senado. Dirceu considerou "agressivo" o pronunciamento de Tasso que seria um discurso de defesa do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.?O Tasso Jereissati no discurso insinua que o governo tem relações com o crime organizado?, afirmou o ministro ao Globo, citando o trecho em que o senador tucano fala de ?uma proníscua relação de escalões inferiores do governo do PT com grupos absolutamente descomprometidos com o interesse público, alguns com raízes até no crime organizado?Tasso ocupou a tribuna no momento em que o ministro da Fazenda era alvo de críticas de aliados do governo, como o PL, e até de setores do PT. "Acho que o ministro não está bem. Eu não falei nada de novo. Estou muito preocupado e vou fazer o possível para acalmá-lo, já que o Brasil precisa de alguém naquele posto que tenha serenidade. Não pode ser descontrolado desse jeito", afirmou o senador do PSDB. Tasso disse que o ministro José Dirceu, na entrevista a O Globo "atirou em todo mundo" e teria confundido sua posição. "Ele confundiu de que lado estou", disse o senador, enfatizando que o PSDB, seu partido, está na oposição ao governo. "O ministro Dirceu mostrou que somos unidos", brincou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), um opositor declarado de Dirceu. Segundo o chefe da Casa Civil, Tasso estaria seguindo o caminho de Virgílio. ?O Tasso foi fraco e se submeteu à estratégia do Arthur Virgílio (líder do PSDB ano Senado) e do Antero (Paes de Barros, senador que assina o pedido de CPI para investigar o caso Waldomiro Diniz), que é suicida. Eles tentam desestabilizar o governo?, disse Dirceu ao Globo.Em sua entrevista, Dirceu não poupou críticas aos governadores Aécio Neves (MG) e Geraldo Alckmin (SP), que têm usado moderação no trato com o governo federal. Na avaliação de Dirceu, ambos estariam adotando um comportamento mais equilibrado por "razões do pragmatismo político" pois, pelo contrário, não conseguiriam nada do governo federal. "Evidentemente que isso não é expressão de ministro de Estado com a importância e a responsabilidade que tem o ministro Dirceu ", observou Tasso, lembrando que, em seu discurso, preservou a figura do chefe da Casa Civil. "Eu disse que tinha certeza de que ninguém estava envolvido em denúncias, mas que figuras do baixo escalão estavam, não fui eu que disse foi a TV quando mostrou Waldomiro com Cachoeira. Alguma dúvida disso?", perguntou o senador. Perguntado se o ministro não teria interpretado seu discurso como uma defesa de Palocci, deixando a responsabilidade pela crise ao chefe da Casa Civil, Tasso respondeu: "Espero que não tenha sido esse jogo de carapuça porque aí é mais preocupante". Além do PSDB, Dirceu criticou o Ministério Público que, na avalição do ministro, ?vem fazendo violências legais a todo o momento. Dirceu diz na entrevista ao Globo que soube que um procurador foi à Caixa Econômica Federal e retirou de lá os livros de visita da instituição, sem mandato de busca e apreensão. O objetivo seria conseguir provas de que o ex-assessor de José Dirceu, Waldomiro Diniz, esteve lá com o bicheiro Carlos Cachoeira.

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