André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Tasso e Perillo desistem de disputar presidência do PSDB e apoiam Alckmin para o cargo

Saída de senador cearense e governador goiano da disputa ocorre no momento em que tucano paulista indica que pode assumir o comando da sigla

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 13h30

O senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, desistiram nesta segunda-feira, 27, de disputar a presidência nacional do PSDB na convenção nacional do partido na convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. Com o gesto, eles abriram caminho para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumir o comando da legenda, buscar a unificação da sigla e fortalecer seu nome como candidato para a Presidência em 2018.

++ 'Espero que alguns setores do PSDB não tenham participação nenhuma na executiva', diz Tasso

“Nunca me coloquei como pré-candidato, mas, se for para ajudar a unir o partido, vamos avaliar”, disse Alckmin ao participar nesta segunda-feira pela manhã de um fórum realizado pela revista Veja. O desfecho representa uma solução para o impasse que quase levou o PSDB à implosão após o presidente licenciado, Aécio Neves (MG), destituir Tasso – crítico do governo Michel Temer – do comando interino e substituí-lo por Alberto Goldman. 

+++ 'Nunca me ocorreu' assumir presidência do PSDB, diz Alckmin

+++ 'O PSDB deeter juízo', diz FHC

Assim como ocorreu com o senador Aécio Neves em 2014, Alckmin poderá disputar o Planalto em 2018 na condição de presidente do partido. No PSDB, as desistências de Tasso e Perillo foram encaradas como um gesto de unidade que vai fortalecer o nome do governador paulista como opção de “centro” para a eleição.

+++ Aécio destitui Tasso do comando do PSDB; ex-interino fala em pressão do Planalto

+++ Huck anuncia que não será candidato a presidente

Conforme mostrou reportagem do Estado publicada na edição de sábado, Temer articula uma frente de centro-direita para defender sua gestão e tentar isolar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aliança seria formada pelo PMDB e mais seis partidos, incluindo o PSDB – mas caso Alckmin se consolide mesmo como o candidato ele precisaria se reaproximar do partido do presidente. 

Nas duas votações no plenário da Câmara dos Deputados das denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer, Alckmin não mobilizou os deputados paulistas para defendê-lo, o que irritou peemedebistas. Ele também disse reiteradas vezes que o PSDB não precisa ter cargos no governo para defender as reformas. 

A articulação para evitar a disputa interna entre a ala dos “cabeças pretas” – representada por Tasso e crítica a Temer – e a dos “cabeças brancas” – de Perillo, que defende o peemedebista – foi coordenada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Perillo já havia sinalizado que aceitaria essa solução e bateu o martelo no domingo, 26, em um encontro em São Paulo com Alckmin. Tasso esteve com o governador no Palácio dos Bandeirantes na quinta-feira passada. “Vou abrir mão, se necessário, para preservar a unidade do partido”, disse Perillo ao Estado. O governador goiano afirmou também que “não vê problema” de o partido defender o “legado de coisas que estão sendo bem feitas” no governo Temer

Previdência. Perillo propôs ainda que o PSDB, “de forma contundente”, “feche” questão na defesa da reforma da Previdência. A sigla chegou a convocar uma reunião na semana passada para tratar do tema, mas não houve consenso.

Quando há fechamento de questão, a bancada é obrigada a votar conforme a orientação do partido. Por ora, o PSDB decidiu orientar os deputados a votar pela aprovação da reforma, mas não vai punir quem votar contra. Na estratégia desenhada pelo Palácio do Planalto, a reforma da Previdência é uma espécie de laboratório para a frente partidária, que seria mantida até a disputa eleitoral de 2018. 

“O PMDB pode ser um aliado, mas é muito difícil dizer se o PSDB vai fazer uma campanha defendendo a gestão Michel Temer. Tem um ano pela frente. Não podemos descartar nenhuma hipótese. O certo é que não estaremos com o PT nem com um candidato à direita com estilo próximo ao fascismo, como é o (Jair) Bolsonaro”, disse Goldman ao Estado. “Esse é o início da transformação do PSDB no polo do centro no País”, disse. 

A legenda chegou a ter quatro ministros. Hoje são três: Luislinda Valois (Direitos Humanos), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo). / COLABORARAM EDUARDO LAGUNA, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS e ADRIANA FERRAZ

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.