Tasso defende aproximação de FHC com cabeças pretas

Após posição favorável ao desembarque do PSDB do governo, presidente interino do partido é visto por jovens tucanos como aliado contra aliança com o PMDB

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2017 | 18h41

BRASÍLIA - O presidente interino do PSDB, Tasso Jeiressati (CE), quer aproximar os "cabeças pretas", como são conhecidos os deputados mais jovens do PSDB na Câmara dos Deputados, do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. O assunto foi tratado na terça-feira, 13, em encontro solicitado pelos tucanos descontentes com a decisão do partido de permanecer na base aliada.

Na reunião, que envolveu 14 deputados federais do PSDB, Tasso sugeriu que FHC seja mais consultado pelos parlamentares tucanos. O presidente interino também disse que o ex-presidente é o maior cabeça preta do partido e estaria sensível ao posicionamento dos deputados jovens.

A reunião dos cabeças pretas teve como objetivos oferecer apoio ao nome de Tasso para a presidência do partido e expressar insatisfação com a manutenção da aliança PSDB-PMDB. Na avaliação deles, a escolha do PSDB foi "pragmática" e influenciada, principalmente, por governadores tucanos, que temem ficar sem recursos numa possível retaliação do Palácio do Planalto.

FHC tem dito, publicamente, que a decisão da cúpula foi de "cautela". Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o ex-presidente endossou o caminho escolhido pela maioria dos tucanos. "Temos responsabilidades e apoiamos um governo que está fazendo reformas. Se formos embora pode complicar mais do que ajudar. O que acontece quando um partido sai de repente? Cria mais dificuldades", disse.

Os cabeças pretas enxergam em Tasso um aliado, principalmente após o tucano admitir ter sido voto vencido na reunião da Executiva Nacional. "Esse não é meu governo, não é o governo dos meus sonhos. Não votei nem nele (Temer) nem nela (Dilma). Estão aí por causa da circunstância do País nos levou a isso", disse o presidente interino na ocasião.

Depois da reunião da Executiva, outro tucano que vem tentando se aproximar dos cabeças pretas é o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (BA). Ele ouviu, no encontro da terça-feira, 12, reclamações do grupo de falta de apoio do Palácio do Planalto às emendas parlamentares. Tentou, na sequência, beneficiá-los, mas os tucanos pró-desembarque acreditam, entretanto, que agora é tarde.

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