Tasso critica governo e diz que crescimento é urgente

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse hoje que a performance dos primeiros seis meses do governo Lula para as áreas social e de segurança pública é uma "decepção". Apesar de tecer elogios à estabilização econômica dos últimos meses, o senador salientou que concorda com as afirmações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que a economia do país estava sendo submetida a um "remédio amargo demais". "O Brasil precisa retomar com urgência o crescimento econômico e o governo precisa se mexer para isso", disse Tasso. Ele alertou que o comportamento do governo em relação às invasões do Movimento dos Sem-Terra (MST) representa uma ameaça à estabilidade econômica do país. "A questão do MST pode acabar num desastre, jogando no lixo todo o esforço dos últimos meses para estabilizar a economia", disse. "Tenho pena do Palocci, pois ele tem que pagar pelos erros dele e dos outros. Se o governo não tomar uma atitude firme em relação ao MST, o Palocci vai ter que segurar os juros por causa disso."Tasso elogiou a gestão da economia nos últimos meses. "Para quem esperava um desastre, o bom senso que predominou já significa um sucesso", disse. No entanto, segundo ele, a atividade econômica do país já deveria estar dando sinais de recuperação. "O período de estabilização, no qual o governo precisou acalmar os mercados , já passou", disse. "A responsabilidade, a partir de agora, é do governo, que precisa reverter as enormes taxas de desemprego e a forte queda de atividade no país".O senador salientou que a redução da taxa de juros é apenas um dos instrumentos necessários para a reativação econômica. "É preciso uma política eficiente com o gerenciamento do dia-a-dia da economia", disse. Tasso também criticou duramente a ação do governo na área social. "O governo está parado, na verdade está negativo, na área social, justamente aquela que ele prometeu mais avanços", disse. "Excelentes programas adotados pelo governo anterior, como a rede de proteção social, estão parados."O tucano, que preside a Subcomissão de Segurança Pública do Senado, disse que o governo "parece não ter ainda percebido a importância da necessidade" novas políticas para a área de segurança pública. "O governo está muito lento nesta questão", disse. "Os problemas são sérios, a segurança pública precisa ser tratada como prioridade, mas não vimos até o momento nenhuma ação concreta." Entre as medidas urgentes, ele citou a necessidade de aprovação da unificação das polícias civis e militares no Congresso Nacional e a reforma do sistema penitenciário. Segundo o senador, o PSDB mantém uma "oposição responsável", ao governo. "Nada de falsas CPIs, nada de falsos dossiês", disse. "Mas estamos cobrando e vamos cobrar cada vez mais o crescimento econômico, a melhoria na segurança e ações concretas na área social, entre outras coisas."Antes de conversar com conversar com jornalistas, Tasso participou na capital britânica do seminário Segurança e Convivência Cidadã na América Latina e no Caribe, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pela Canning House.

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