Tasso afirma que PSDB não quer estimular crise no governo

O PSDB não quer estimular a crise no governo e sair da crise é um papel do Palácio do Planalto. Com esse argumento o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) tentou pôr um ponto final no confronto com o ministro José Dirceu. Mesmo sendo excluído do pedido de desculpas do chefe da Casa Civil, o senador optou por não reacender a crise e considerou importante o fato de o ministro ter se retratado, pelo menos, com os governadores do PSDB, Aécio Neves (MG) e Geraldo Alckmin (SP). Apesar da decisão de Tasso, a oposição pretende manter a crise acesa, aproveitando-se da fragilidade do governo. Amanhã, os dirigentes do PSDB, PFL e PDT - os três partidos que fazem oposição ao governo - fazem uma reunião em Brasília para criar um fato político e formalizar uma frente de oposição ao governo Lula. O presidente do PDT, Leonel Brizola, não estará presente. Será representado pelo líder do partido, senador Jefferson Perez (AM), um dos principais críticos do governo no Senado. Na avaliação de Tasso, manter a discussão com Dirceu seria uma polêmica estéril. "O problema é mais amplo. Temos uma série de assuntos pendentes na economia que precisam ser resolvidos. Mas o governo cria uma crise atrás da outra e cabe ao governo sair dela", enfatizou. Na avaliação de políticos do PSDB, mais que mostrar hostilidade aos tucanos, Dirceu teria reagido negativamente ao discurso de Tasso Jereissati por conta da defesa que o senador tucano teria feito do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "Isso é esquisofrenia", resumiu um parlamentar do PSDB, ao constatar a disputa interna no governo entre os dois ministros.Antes de fazer o discurso na tribuna, na semana passada, Tasso Jereissati acertou o tom com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, na segunda-feira, desaconselhou à cúpula do PSDB a adotar atos que prejudiquem a governabilidade do País. O próprio Tasso Jereissati lembrou que a idéia do discurso foi reforçada quando o PSDB percebeu que o maior movimento para desestabilizar o ministro da Fazenda partia de setores do próprio governo. "A saída de Palocci seria o caos e não nos interessa", afirmou.O que mais impressionou o senador Tasso Jereissati ontem, depois que respondeu aos ataques de Dirceu em plenário, foi a reação do próprio PT. A líder do partido, senadora Ideli Salvatti (SC), mal conseguiu defender o chefe da Casa Civil. O senador Tião Viana (PT-AC) deu-lhe um abraço. O sentimento generalizado entre os aliados do governo é de que Dirceu foi inoportuno ao criticar o PSDB num momento em que o governo está fragilizado e precisa de apoio parlamentar da oposição no Congresso.

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