Tasso admite terceiro na disputa para a sucessão

O governador do Ceará, Tasso Jereissati, um dos presidenciáveis do PSDB, juntamente com o ministro da Saúde, José Serra, admitiu a possibilidade de que o partido venha a partir para uma terceira opção, representada pelo presidente da Câmara, Aécio Neves, ou pelo governador paulista Geraldo Alckmin. O governador tampouco descartou a possibilidade de o seu partido vir a apoiar a governadora pefelista do Maranhão, Roseana Sarney, e lançou a tese de que o governo Fernando Henrique Cardoso irá se notabilizar mais por seus avanços no campo social do que no econômico. "Eu acho que precisa haver uma certa compreensão e desprendimento (para a escolha do candidato tucano). E digo aqui, com todas as letras, que encaro com a maior naturalidade quem quer que venha a ser (o indicado)", disse o governador, em entrevista ao programa ?Passando a Limpo?, da Rede Record.FHC e o social"Eu acho que o governo Fernando Henrique se saiu muito melhor na área social do que na econômica. Se o governo Fernando Henrique tivesse estabelecido no início do seu segundo mandato algumas metas sociais, e não tivesse, do ponto de vista da publicidade, dado muita atenção às metas econômicas, teria sido um sucesso (de aprovação popular)." Segundo Tasso, na área da educação, houve "uma revolução". "O País da próxima geração que está aí não tem mais analfabetos. É uma nova sociedade que vem aí. Se você lembra, quando falávamos de mortalidade infantil, éramos comparados a países da África. Hoje, se reclama porque ainda não atingimos os níveis da Suíça. Se você levantar o que existe de água tratada na casa das pessoas pobres, de saneamento básico, de energia elétrica urbana e rural, houve uma verdadeira transformação."Candidatura SerraO governador elogiou José Serra, qualificando-o de "uma pessoa de inteligência acima do normal", reconheceu vir tendo alguns desentendimentos com ele, e que não sabe dizer se Serra é o candidato do coração de FHC. Mas ajuntou: "Não é o coração do Fernando Henrique que deve ser disputado. O que deve ser disputado é o coração do partido e procurar-sea certa densidade eleitoral, dentro de alguns critérios básicos."Espaço para aparecerTasso insistiu, contudo, na necessidade de o PSDB dar espaço aos nomes do partido que pretendem concorrer à sucessão presidencial, inclusive para que se viabilizem junto ao eleitorado. "É dificílimo, num país como o Brasil, você ser conhecido no país inteiro. E existe um espaço para isso, que é o programa do partido, que é gratuito, para que possa apresentar suas idéias e seus programas."Candidatura LulaPara o governador tucano, o virtual candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, "está onde sempre esteve". Ou seja, mantém-se no patamar semelhante ao que atingiu em 1989, quando disputou a presidência da República pela primeira vez. "O Lula fá foi candidato a presidente três vezes, e tem um reconhecimento nacional. Mas se você lembrar 94, eu acho que o Lula esteve mais alto, chegando perto de 40%."Candidatura RoseanaTasso elogiou o trabalho feito pelo PFL para tornar a governadora do Maranhão conhecida em todo o País. "É uma governadora jovem, uma figura muito agradável, que está fazendo um bom governo em seu Estado, e o PFL foi unido, desprendido, e concentrou um trabalho competente em cima dessa figura." Ele não descarta a possibilidade de o PSDB vir a apoiar a governador maranhense, e explicou: "Eu não defendo o apoio a Roseana, mas eu defendo o seguinte: se nós queremos uma aliança com o PFL, ou com qualquer outro partido, nós temos que partir para uma negociação aberta. Nós não podemos pensar numa aliança desde que o candidato seja nosso, mesmo que o nosso não tenha a mesma competitividade que o candidato do PFL."Itamar, nem para prefeitoJá sobre a hipótese de o PMDB, outro partido da base aliada, vir a lançar o nome de Itamar Franco, Tasso reagiu com ironia, afirmando que Itamar Franco não teria seu voto nem para prefeito de uma cidadezinha cearense. "Eu não concordo com as suas atitudes e temo o seu temperamento. As suas emoções não são muito controladas, e também não entendo direito o que ele pensa sobre o País E nem o que ele quer."

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