Marcelo Camargo/Estadão
Marcelo Camargo/Estadão

Tasso admite que pode disputar eleição para presidência do PSDB

Maioria dos tucanos votou a favor da denúncia contra Temer; resultado é visto como vitória para o presidente interino

Julia Lindner e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2017 | 18h44

BRASÍLIA - Motivado pelo resultado da votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), admitiu pela primeira vez que pode disputar a eleição para a presidência da sigla, em dezembro. Segundo o tucano, ele está consultando correligionários e familiares sobre o assunto antes de oficializar a candidatura.

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"Depois de ontem, o presente está definido, vamos passar o ano que vem com um governo enfraquecido, com uma boa equipe econômica, mas atravessando a pinguela aos trancos e barrancos. O problema agora é pensar no futuro, e futuro não é só 2018, e sim o que vamos ser e o que queremos para o País", declarou.

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Para Tasso, há dois projetos antagônicos no partido. Nesta quarta-feira, 25, o PSDB deu 23 votos pela abertura do processo contra Temer e 20 pelo arquivamento. Embora o peemedebista tenha reunido maioria na Câmara para barrar a denúncia, o resultado foi visto como uma vitória de Tasso dentro do partido sobre o grupo do senador Aécio Neves (MG), que defende a permanência da legenda na base aliada.

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Na primeira denúncia, o resultado foi de 22 senadores contrários à denúncia e 21 a favor do prosseguimento. "Algumas faltas na primeira votação fizeram com que fosse alardeado um falso resultado. O resultado de ontem foi uma demonstração clara do que a maioria quer", avaliou o senador cearense.

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Com um discurso forte, Tasso reforçou hoje que o partido deve realizar uma autocrítica e romper com o governo do presidente Temer, mas manter o apoio à equipe econômica. "Renovar o partido sempre foi o meu sonho, desde o (último) programa partidário até as propostas que fizemos. Houve uma reação muito grande no partido e agora vamos ter uma decisão final (na eleição)", disse.

Em agosto deste ano, Tasso foi bastante criticado internamente por veicular um vídeo que chamava o atual governo de "presidencialismo de cooptação". Em outra peça, veiculada uma semana antes, a sigla também admitiu ter cometido "erros".

Tasso considera que, do ponto de vista numérico, o racha dentro do partido é "menor do que parece". "Do ponto de vista de poder é diferente. Porque um dos grupos (com visões diferentes dentro do PSDB) é apoiado pelo governo e aí, neste caso, pesam outros fatores", ponderou.

O tucano reforçou que o partido deve apoiar a equipe econômica independentemente do governo, mas não considera que será viável aprovar a reforma da Previdência este ano. "Se o projeto vier (da Câmara) bem feito, nós apoiaremos, mas matematicamente não vejo como seria possível." Por se tratar de uma Proposta de Emenda Constitucional, o texto precisa passar por dois turnos de votação na Câmara antes de seguir para o Senado.

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Desde que assumiu a presidência interina do PSDB, Tasso vinha negando que fosse disputar a presidência. Há menos de uma semana ele chegou a dizer, quando questionado pela imprensa, que nunca teve objetivo de dirigir o partido. "Com certeza não faz parte dos grandes objetivos da vida ser presidente de nada. Estou muito bem como senador. Ser presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) já é muita coisa", rechaçou. Nos bastidores, porém, o grupo conhecido como "cabeças-pretas" sempre defendeu a candidatura do cearense como forma de renovar o partido.

As recentes investidas de Tasso contra Aécio também foram vistas por parlamentares mineiros como um sinal de que o senador cearense tinha interesse em disputar a Presidência da legenda. Desde que foi enquadrado pelo tucano, Aécio tem sido convencido por aliados a resistir no posto. A avaliação é de que a presença de Aécio impede que Tasso tenha plenos poderes na direção do partido.

Os tucanos próximos ao senador mineiro argumentam que, com Aécio na Executiva Nacional, Tasso teria dificuldade de usar a máquina partidária a favor de sua própria eleição. Seria uma forma de manter a disputa entre Tasso e Marconi Perillo, governador de Goiás, mais "equilibrada". Perillo já é oficialmente candidato à presidência da sigla, justamente com apoio de Aécio Neves.

"Marconi é um candidato importante, uma liderança importante, fez um trabalho conhecido. Ele representa uma corrente, um desses projetos dentro do PSDB e tem toda legitimidade para se candidatar", comentou Tasso sobre Perillo. 

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