Tarso propõe a Renan pacto em torno de reformas

O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, propôs nesta quarta-feira, 30, ao presidente do Senado, Renan Calheiros, a definição de um pacto envolvendo dois temas - a reforma política com o fim da reeleição e uma reforma legislativa com mudanças no sistema de orçamento."A idéia é compor um grande acordo em torno de temas que emergiram da sociedade. O governo tem que aproveitar este espaço político entre a eleição e o próximo Congresso para encaminhar estes temas", disse.Tarso, na saída do gabinete do Renan, explicou que concertação não é cooptação. "É um acordo entre oposição e governo para resolver determinados assuntos", explicou. Ele destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma visão de que o próximo governo deve ser um governo de partidos e de coalização.RepercussãoA declaração do ministro deixou a oposição furiosa. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), "o ministro atravessou a rua até o Congresso para cometer um crime eleitoral". Virgílio disse que a atitude do ministro mostra que sua intenção é criar um fato consumado da vitória de Lula na disputa presidencial antes da eleição ocorrer. "Se a gente fosse acreditar em derrota antecipada, a prefeita petista de Fortaleza, Luiziane Lins, que foi traída por eles, não teria ganho a eleição. Eles querem substituir o povo pelas pesquisas", afirmou.Irritado, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse que só tem uma coisa que supera a arrogância de Lula: "a prepotência do governo e o cinismo". Ele ressaltou que o governo é corrupto, que aparelhou o Estado E que a seu ver não tem conserto. "Governo que não tem conserto não tem autoridade para falar em concertação", provocou.Tasso não acredita que a proposta de Tarso tenha sido um deslize nem tampouco uma precipitação, já que atropela o processo eleitoral. "Tudo deles é planejado, pensado, porque eles têm sede de poder. Querem dar a eleição como fato consumado e estão apodrecendo a democracia brasileira", acusou.

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