Tarso nega que PF tenha vazado dados da Castelo de Areia

Se houve vazamento, afirmou o ministro, pode ter ocorrido por meio da Justiça Federal ou do Ministério Público

da Redação,

28 de abril de 2009 | 11h44

O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou nesta terça-feira, 28, que a Polícia Federal tenha vazado dados da Operação Castelo de Areia, que teve como alvo a construtora Camargo Corrêa, segundo informações da Agência Senado. Ele afirmou em audiência na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) que o objetivo da operação não era investigar financiamento de campanha, mas lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.

 

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Tarso disse também, segundo a Agência Senado, que estão sendo apurados os grampos telefônicos realizados na Castelo de Areia sem o devido rito judicial e que resultaram no vazamento de informações para a imprensa.

 

Segundo o ministro, a investigação da PF durou cerca de um ano e três meses sem que houvesse vazamento. Se houve vazamento, afirmou ele à Agência Senado, pode ter ocorrido por meio da Justiça Federal ou do Ministério Público, mas não da PF. Conforme explicou, jornalistas têm acesso, junto ao MP ou à Justiça federal, ao relatório elaborado pela Polícia Federal, e o divulgam como se tivessem recebido informação de uma fonte da PF.

 

O ministro voltou a negar a existência de "viés político" na operação.  O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também ressaltou que o foco da investigação era a questão financeira e negou interferência política na polícia. No entanto, tanto Corrêa quanto Tarso admitiram que a Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz e que levou o banqueiro Daniel Dantas à prisão, saiu dos padrões ao expor os envolvidos no caso.

 

 

Para o líder do Democratas (DEM), José Agripino Maia (RN), um dos citados como beneficiado pela doação de dinheiro da Camargo Corrêa, houve vazamento de informações da operação. Ele pediu que o ministro da Justiça, Tarso Genro, revele os nomes dos responsáveis.

 

"Onde está o viés político desse inquérito que investiga lavagem de dinheiro e que usou apenas seis linhas para falar de doação de campanha. Não há nenhum viés político nessas investigações", disse o ministro, ao responder a questionamento de Agripino Maia.

 

Na opinião do parlamentar, o Brasil vive um "Estado policialesco".

 

"O Brasil não vive em um estado policial. Em um estado policial a PF não estaria aqui prestando informações", rebateu Tarso. "É inadmissível se levantar que o Brasil vive um estado policial em que juízes fazem articulações na sombra para perseguir pessoas", completou.

 

O ministro da Justiça admitiu que José Agripino foi vitima de infâmia quando começou a aparecer o nome dele nas investigações. Segundo ele, as informações saíram distorcidas. Mas nem Tarso e nem o diretor da PF responderam à pergunta dos senadores da oposição do por que a Polícia Federal não divulga o resultado de investigações de integrantes do governo, como o caso do ex-assessor do ex-ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz.

 

Texto atualizado às 14h14

 

(Com Agência Brasil e João Domingos, de O Estado de S.Paulo)

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