Tarso nega promessas do governo em disputa na Câmara

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, negou nesta quinta-feira que o governo ofereça favores, como liberações de emendas, em troca de apoio às candidaturas de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara. "Se alguém, de qualquer partido da base, estiver oferecendo qualquer coisa em nome do governo, em troca de apoio a qualquer das candidaturas, seja do Aldo, seja do Arlindo, é um oferecimento desonesto, porque não tem como pagar. O governo não entra neste tipo de negociação. É moeda falsa. O governo não vai bancar nenhum tipo de acordo, nenhum tipo de aliança sustentada em promessas desta natureza". Ao participar da instalação do Foro de Governadores e Prefeitos do Mercosul, no Rio, Tarso negou acusações de alguns parlamentares de que ele tenha oferecido ao atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B - SP), cargos no Ministério para que retirasse sua candidatura à reeleição. "Isto é um jogo de disputa parlamentar que não tem nenhuma relação com a realidade. É inviável do ponto de vista político e insano do ponto de vista da inteligência média". O ministro garantiu ainda que a candidatura oposicionista do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) à presidência da Câmara, "não gera instabilidade e adversidade política radical dentro da Câmara. Nenhuma das candidaturas desestabiliza as relações do Executivo com o Legislativo. Nós não temos nenhuma preocupação como surgimento de uma terceira candidatura", afirmou. Segundo ele, o governo ainda não desistiu de uma candidatura única, embora não tenha poderes para impô-la. "Ainda gostaríamos de uma candidatura única e vamos continuar aproximando o mais possível os pontos de vista. Agora, não temos o poder imperial e nem legitimidade para determinar que os partidos retirem suas candidaturas. Então, queremos que os dois partidos se mantenham de maneira equilibrada, apresentando propostas, com diálogo de alto nível". Acordo na Bahia O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), também negou qualquer acordo com o líder do PSDB, o também baiano Jutahy Magalhães para beneficiar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT). Segundo ele, a decisão de apoiar um deputado estadual tucano para a presidência da Assembléia baiana, é antiga. "Era público, e eu já tinha decidido lá atrás que, se não fosse do PT o candidato para a Assembléia, iríamos fazer um gesto em relação ao PSDB. Como eles, na Bahia, não se aliaram ao PFL e, indiretamente, apoiaram a minha candidatura, eu já tinha dito que escolheria um dos três deputados da base do PSDB dentro de uma combinação da própria base de sustentação do governo local", disse o governador baiano. Wagner garantiu que não houve uma "sentada" para dizer "a gente apóia aqui e vocês vão apoiar lá", Ele, porém, considerou normal a reciprocidade. "É óbvio que o gesto político anima outras pessoas a ter reciprocidade. Agora não teve, em momento algum, acordo", enfatizou. Divisão A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), demonstrou temer que a divisão da base aliada entre Chinaglia e Aldo resulte novamente numa derrota para o governo. Numa alusão à desastrada eleição de Severino Cavalcanti há dois anos diante da divisão do PT em duas candidaturas, a governadora se mostrou frustrada pela falta de um acordo para o lançamento de um candidato de consenso. "Espero que eles consigam chegar bem para não acontecer outro desastre", disse. "Eu preferia a unidade. Um candidato só do governo. Acho que deveriam ter chegado a um acordo", disse Ana Júlia, sem dizer se prefere Aldo ou Chinaglia, para em seguida criticar o próprio partido: "Tenho dificuldades para compreender como é que o PT não aprende com os erros", afirmou.

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