Tarso nega motivação política em saída de Protógenes Queiroz

PF confirmou o afastamento do delegado do caso Dantas e informou que a saída foi 'a pedido' dele próprio

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

15 de julho de 2008 | 21h24

O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou nesta terça-feira, 15, que o afastamento do delegado Protógenes Queiroz da Operação Satiagraha tenha motivos políticos, atribuindo o afastamento a "uma questão de rotina". Negou também que o pedido de férias do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correia, tenha relação com o afastamento do delegado.  Veja também:Tarso e Mendes selam pacto para coibir abusos de poder Braço direito de Dantas fica calado em depoimento Governo manobra em CPI para blindar Greenhalgh Presidente do STF justifica libertação de Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas Atacado pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, e desprestigiado pelos superiores, que o acusam de excesso de individualismo, Protógenes não resistiu às pressões e afastou-se do comando da Operação Satiagraha. A saída dele do caso foi acertada em uma reunião, na segunda à noite, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo, entre ele, o delegado Jáber Saadi - seu superior imediato - e o diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado, Roberto Troncon Filho, emissário da Direção-Geral da PF, situada em Brasília.    Os outros dois delegados que trabalhavam com Protógenes na operação,  Karina Marakemi Souza e Carlos Eduardo Pellegrini, também devem deixar a investigação a partir da próxima segunda, segundo informações do Jornal Nacional, da TV Globo. Ainda segundo o Jornal Nacional , os delegados divergem da PF nas explicações para a saída. Os primeiros teriam dito que foram afastados pela direção da PF, e não que saíram por vontade própria.  A direção da PF confirmou o afastamento de Protógenes, mas alegou que a saída foi "a pedido" do próprio delegado, e não uma punição em decorrência da sua suposta insubordinação. O substituto será designado provavelmente nesta quinta. Por meio da assessoria, a PF informou que desconhece a saída dos dois auxiliares de Protógenes - Karina e Pellegrini. A PF negou que haja uma rebelião na equipe que participou da Operação Satiagraha, responsável pela prisão do banqueiro  Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Segundo a assessoria da PF, Protógenes alegou na reunião, que faz, desde março, o Curso Superior de Polícia a distância - e que, na próxima segunda-feira, começam as aulas presenciais, por 30 dias. De acordo com essa versão, Protógenes disse a Troncon que não deseja voltar a atuar no caso após concluir o curso e pediu que lhe sejam atribuídas novas funções. Nos bastidores, porém, o delegado tem-se queixado de que vem sofrendo boicote sistemático na instituição desde que o atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, tomou posse no cargo, em setembro passado, no lugar do delegado Paulo Lacerda, que foi deslocado para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). (Com Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo)

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