Tarso nega conotação política na ação que atingiu empreiteira

Ministro diz que acusações partiram do MP e da Justiça, e não da PF; Camargo Corrêa é acusada de desvios

Agência Brasil,

26 de março de 2009 | 15h34

Ao comentar o andamento da Operação Castelo de Areia, que atingiu a empreiteira Camargo Corrêa, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta quinta-feira, 26, que não há nenhuma acusação da Polícia Federal sobre indícios de participação de partidos políticos no suposto esquema de desvio de verbas de obras públicas para abastecer contas no exterior e campanhas eleitorais. Segundo ele, os dados partiram do Ministério Público ou do Poder Judiciário.

 

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"Da parte da Polícia Federal, não há acusação, ela não é um órgão acusador. O Ministério Público agora vai fazer a denúncia em cima do inquérito que foi realizado. Isso demonstra que temos uma polícia ativa, neutra politicamente e orientada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União", disse o ministro. "Se há conotação política ou não, quem vai dizer é a Justiça Eleitoral", acrescentou.

 

Tarso destacou que a etapa em que se encontram as investigações é transformar o inquérito em processo judicial, "em que as pessoas vão apresentar suas razões, se defender e fazer suas alegações". Os dados, segundo ele, serão agora analisados pela Justiça Eleitoral como continuidade ao trabalho de investigação da Polícia Federal.

 

"Quando é feito o inquérito, não se faz vínculo com ideologia, com programas de partidos ou com lideranças políticas. A Polícia Federal investiga fatos delituosos. Às vezes, eles determinam outro inquérito que transcende à lavagem de dinheiro ou à mobilização ilegal de recursos para financiamento de campanhas. Isso vai ser analisado em uma outra fase."

 

Para o ministro, a divulgação na imprensa de que há indícios de participação de partidos políticos no esquema ocorreu de forma "precipitada" e a Operação Castelo de Areia está "rigorosamente" dentro dos padrões. "É um inquérito rigoroso, profundo, tecnicamente perfeito e que vai ter conseqüências, dadas pelo Ministério Público e pela Justiça."

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