Tarso nega 'caráter político' de operação contra fraude no PAC

Operação João de Barros é a maior do ano e atinge deputados federais e estaduais; prejuízo chega a R$ 700 mi

Leonêncio Nossa, da Agência Estado,

20 de junho de 2008 | 15h29

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta sexta-feira, 20, que a Operação João de Barros, desencadeada pela Polícia Federal em sete estados e no Distrito Federal não teve caráter político e apenas seguiu orientações técnicas de órgãos da União Federal. Em entrevista no Ministério da Justiça, Tarso ressaltou que a operação seguiu o novo manual da PF de não expor as pessoas acusadas de crimes.  Veja também: As ações da Polícia Federal no governo Lula O balanço do PACAção da PF contra fraude em obras do PAC atinge deputados federais "Nós gostaríamos de dizer que todas essas buscas, mandados de prisão e o trabalho de investigação feito não têm nenhuma destinação voltada a qualquer região ou facção política. Ela obedece estritamente o trabalho de órgãos técnicos da União Federal", afirmou. Tarso disse que operações como a João de Barro continuarão sendo realizadas pela PF. Segundo o ministro, as operações só no dia de hoje, da PF, tiveram por finalidade combater a lavagem de dinheiro em Santa Catarina e São Paulo - o que envolveu o trabalho de 252 policiais e 33 auditores fiscais; o combate ao narcotráfico em Mato Grosso, onde um efetivo de 120 homens cumpriu 18 mandados de busca e 24 prisões e o trabalho de combate à corrupção em outros municípios do país, envolvendo mil policiais.  Foram cumpridos nessa última operação 231 mandados de apreensão e 38 prisões em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Distrito Federal, com base em indicações do Tribunal de Contas da União e da Controladoria geral da União. "É importante ressaltar que essas inspeções são consideradas rotina para a Polícia Federal e o governo. São operações realizadas de maneira transversal na máquina pública, com articulação permanente do Ministério da Justiça e do Ministério Público", afirmou. Questionado sobre o motivo da convocação da imprensa, já que a Polícia Federal falaria em seguida sobre a operação, o ministro da Justiça disse que resolveu se antecipar, porque tinha "absoluta certeza" de que os jornalistas iam passar a tarde inteira lhe telefonando. Para o ministro, o fato de a operação ter sido desencadeada para impedir o desvio de dinheiro destinado a obras do PAC, não significa que o programa deva ser interrompido, para uma avaliação. "Pelo contrário, tem que apressar as obras do PAC. Agora, as distorções locais ocorrem em qualquer tipo de obra. A diferença é que há uma luta sem trégua e contínua contra a corrupção", afirmou. Durante a entrevista Tarso fez questão de ressaltar o manual da PF que, segundo ele, impede punições antecipadas, com a exposição dos suspeitos presos. "Nós conseguimos aplicar de maneira integral o manual de operação da PF em que as pessoas que estão sendo presas não sejam expostas e essa exposição de pessoas não funcione como punição antecipada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.