Tarso insiste na candidatura ao governo do RS

Os últimos movimentos da cúpula nacional do PT e do Palácio Piratini não demoveram o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, da intenção de disputar a prévia que, no dia 17 de março, vai escolher o candidato do partido ao governo do Rio Grande do Sul nas eleições deste ano. "Desistir não está em pauta", insistiu ontem o prefeito, que terá seu nome inscrito na disputa interna na próxima sexta-feira. Mesmo que diga preferir o consenso, Tarso acredita que o PT gaúcho está mais próximo da prévia do que nunca. A possível oferta de um cargo na coordenação da campanha nacional de Luiz Inácio Lula da Silva em troca de sua renúncia à disputa com o governador Olívio Dutra, pré-candidato à reeleição, é um prêmio de consolação que não serve a Tarso. "Estarei ocupado ou na minha campanha estadual ou à frente da prefeitura", adianta, ressaltando que já faz parte da comissão que elabora o programa de governo de Lula e prometendo que, se não for candidato, participará eventualmente de comícios de apoio aos nomes que o partido indicar.Quando fala em consenso, o prefeito evita admitir que, na negociação, pode retirar sua pré-candidatura. Dá a entender que as correntes que apóiam Olívio Dutra devem ser convincentes, nos debates internos, ao justificarem sua preferência. Isso significa desmontar os argumentos que as correntes favoráveis a Tarso usam para mantê-lo na disputa, como a menor rejeição do eleitorado ao nome do prefeito e o maior pluralismo que seu governo teria, acomodando todas as forças internas do partido, muitas das quais descontentes com o tratamento que receberam no governo Olívio Dutra.Na última semana, pressionado por recados do presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente nacional do partido, José Dirceu, o governador Olívio Dutra, num gesto conciliatório, ofereceu a Casa Civil e a Secretaria-Geral de Governo ao PT Amplo, uma das principais correntes de apoio a Tarso Genro. Ao mesmo tempo, o vice-governador Miguel Rossetto, da Democracia Socialista, disse que não será empecilho à composição de uma chapa de consenso, oferecendo a vaga ao grupo de Tarso, desde que a cabeça de chapa permaneça com Olívio.Essas atitudes, segundo Tarso, reconhecem que o partido precisa de uma chapa pluralista, que contemple todas as suas correntes internas, mas são insuficientes para deter a discussão proposta pelo seu grupo, e já tornada pública, sobre quem é o candidato que tem mais chances de vencer as eleições.Nem mesmo a lembrança da promessa feita, quando candidato, de que cumpriria os quatro anos de seu mandato, demovem o prefeito. "Isso é problemático", admite, "mas é tão problemático quanto postular uma reeleição sem fundamentar esse projeto." Tarso considera "ridículo" o principal argumento dos defensores da candidatura de Olívio, de que a substituição do governador seria desgastante para o projeto do PT no Rio Grande do Sul. "Ele é governador e tem outras qualidades, que devem ser colocadas na discussão", desafia.

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