Tarso Genro vê "gravidade" em suspeitas contra o PT-RS

O prefeito de Porto Alegre, o petista Tarso Genro, considera "graves" as suspeitas de envolvimento do governo gaúcho com o jogo do bicho, porque põem em xeque "um dos elementos centrais da credibilidade do PT: a moralidade pública e a ética". Uma gravação descoberta pela CPI estadual da Segurança Pública revela conversa em que o assessor petista Diógenes de Oliveira diz falar em nome do governador Olívio Dutra, e pede ao ex-chefe de Polícia Civil, Luiz Fernando Tubino, tolerância com o jogo do bicho. Genro não acredita no envolvimento do governador: "Conheço o Olívio há 30 anos, tenho divergências e convergências com ele e sei perfeitamente que Olívio jamais faria isso", declarou."Esse episódio tem gravidade porque é uma conversa gravada, com um quadro do partido reconhecido. Temos de verificar que condições políticas permitiram que um quadro, com a responsabilidade do Diógenes, dissesse o que disse", declarou o prefeito. "Uma gravação desse tipo fornece aos nossos adversários uma poderosa arma política, particularmente aos setores que sempre foram criticados por nós", reconheceu o prefeito. Tarso Genro defende que o partido discuta os motivos que fizeram com que uma pessoa de confiança como Diógenes "se comportasse à vontade dessa maneira". Para Tarso, cabe ao PT "mostrar à sociedade que (o fato de) eventualmente alguém cometer um erro não tira as características essenciais do partido como grande protagonista da defesa da ética na função pública e na política do Rio Grande do Sul". Tarso afirmou que a CPI da Segurança Pública é um "instrumento de vingança" do PDT, que tem a relatoria da comissão de investigação na Assembléia Legislativa."Temos sido rigorosos, quem sabe até eventualmente tenhamos passado das medidas em algum momento, e hoje estamos recebendo o troco. Desproporcional, na minha opinião. Temos que agüentar o tirão e fazer um grande debate político sobre isso", afirmou Tarso. O prefeito declarou-se contra a alternativa "tipicamente stalinista" de simplesmente expulsar Diógenes de Oliveira sem ouvi-lo. Tarso defende que, depois de ouvido, Diógenes "tenha uma punição tão grave quanto o procedimento, seja expulsão ou não".Apesar de considerar que a CPI "não está mais investigando a segurança pública, mas as finanças do PT", Tarso Genro quer que o partido reveja suas normas para recebimento de verbas de terceiros e citou a possibilidade de criação de uma Secretaria de Captação de Recursos, controlada pelo partido. Os deputados estaduais investigam se os bicheiros estão entre os doadores que contribuíram para a compra de um prédio do Clube da Cidadania, presidido por Diógenes. O edifício foi cedido para ser sede estadual do PT, em 1998. Tarso defendeu que seja revista a relação entre o Clube da Cidadania e o PT. "É preciso avaliar as normas que permitem que o partido tenha esse tipo de estrutura. Que se organize outra estrutura."Tarso lembrou que, em 12 anos de governo municipal petista em Porto Alegre, nenhum secretário ou dirigente foi processado por mau uso de bens públicos ou corrupção. Tarso Genro disse não ter opinião formada sobre a legalização do jogo do bicho, diferentemente do principal líder petista, Luiz Inácio Lula da Silva, que defende a estatização do jogo. "Tenho uma visão um pouco mais complexa dessa questão. Tem que ter muito cuidado porque em vários pontos do País o jogo do bicho é uma ponta do crime organizado", afirmou. O prefeito está no Rio para a reunião da Frente Nacional de Prefeitos, da qual é coordenador geral.

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