Tarso Genro nega que tenha levado 'puxao de orelha' de Lula

Tarso, mais uma vez, negou que tenha defendido a revisão na Lei da Anistia, como interpretaram os militares

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

11 de agosto de 2008 | 20h41

O ministro da Justiça, Tarso Genro, foi o centro da reunião de coordenação política, nesta segunda-feira, 11, no Palácio do Planalto. Ao final da reunião, Tarso procurou a imprensa, a mando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para, mais uma vez, negar que o governo tenha intenção de patrocinar revisões na Lei da Anistia. Centro de uma polêmica extensa com os militares por ter levantado o assunto, Tarso negou que tenha levado um "puxão de orelhas" do presidente, mas claramente foi incumbido de pôr um ponto final no assunto.   Veja Também:  Tarso diz que anistia não isenta torturadores.Você concorda?  Militares pressionam para Lula falar sobre Lei de Anistia Tarso não quer revisão da Lei de Anistia, diz advogado da União Militares repudiam ministros e lembram passado de luta armada    "O presidente pode dar um puxão de orelhas na hora que quiser, mas eu não levei um", garantiu. "O presidente pediu informações sobre as posições que haviam sido levantadas durante a audiência pública e eu informei que não é da competência do ministério discutir esse tema. Ele aceitou as explicações e reforçou a orientação de deixarmos claro que a interpretação da Lei da Anistia é do poder judiciário".   A reunião de coordenação política é feita semanalmente por Lula com seus auxiliares mais próximos - os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, da Casa Civil, Dilma Roussef, da Fazenda, Guido Mantega, das Relações Institucionais, José Múcio, da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, além de Tarso, do vice-presidente José Alencar e do chefe de gabinete, Gilberto Carvalho. O encontro serve para a cúpula do governo debater os assuntos mais urgentes da semana. Nesse caso, a polêmica criada com os militares surgiu quando o presidente estava na China.   Tarso, mais uma vez, negou que tenha defendido a revisão na Lei da Anistia, como interpretaram os militares. Na verdade, o ministro afirmou que a lei não englobaria torturadores, já que a tortura não é considerada, nem no Brasil nem em outros Países, um crime político como os cobertos pela Lei da Anistia.   "Não há uma postura de revisão. Apenas emiti um conceito que está nos tratados internacionais", repetiu o ministro. De acordo com Tarso, essa é uma polêmica que existe na sociedade e não criou embaraços para o governo. No entanto, Lula teria pedido ao ministro para reafirmar que a postura do governo é de "trabalhar para frente" e deixar qualquer possibilidade de punição de revisão ou reinterpretação da lei para o Poder Judiciário.

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