Tarso Genro diz que PT deve aceitar governo de coalizão

O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro (PT), afirmou na manhã deste sábado que o PT deve, na reunião que realizará neste final de semana, dizer sim a um governo de coalizão e ceder espaço e cargos no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista no Pestana Hotel, em São Paulo, antes do início da reunião do Diretório Nacional do PT, Tarso disse que o partido vai colaborar para formar um governo mais "transparente, eficiente e estável". "Não foi fácil, nem simples montar a coalizão e, hoje, pelo que estou informado, o PT vai dizer sim à coalizão, introduzindo no cenário político nacional, a partir da perspectiva de esquerda que o partido representa, a formação de um sistema de poder e governo mais transparente, eficiente e estável".Segundo ele, a coalizão só pode ser formada após a reeleição do presidente Lula por conta do próprio sistema e não por conflitos de interesse entre o PT e os partidos aliados. "Uma coalizão num sistema presidencialista só pode operar depois das eleições, porque o centro do governo no presidencialismo é o presidente da República, não o parlamento".Tarso destacou também que o fato de o Brasil não ter um partido de centro forte dificulta a formação de governos de coalizão. "Estamos começando a ter agora com a unificação do PMDB", disse. "O PMDB era um partido que se auto-anulava no parlamento, pois metade estava de um lado e o restante, de outro."Divisão anteriorSegundo o ministro, esta divisão também acontecia no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e se repetiu na campanha eleitoral deste ano. "Com a reeleição do presidente Lula, o PMDB, como partido centrista, se unifica agora para dar sustentação a um governo de centro-esquerda, e é isto o que o Brasil precisa para ter estabilidade política e um diálogo correto com a oposição".O ministro afirmou que os aliados, em conjunto com os partidos de oposição, deve se unir no início de 2007 para aprovar a reforma política.O encontro do PT tem início previsto para as 10 horas e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governador eleito da Bahia, Jacques Wagner (PT), também já chegou ao encontro, mas não falou com a imprensa.

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