Tarso fará estudo 'profundo' sobre caso Abadía

O ministro da Justiça, Tarso Genro, quer fazer um "estudo profundo" do caso do traficante Juan Carlos Ramirez Abadía antes de oferecer um parecer favorável ou contrário à extradição do colombiano para os Estados Unidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vamos examinar inclusive quais são as informações que ele pode prestar aos Estados Unidos e eventualmente não quer prestar aqui, onde não responde por tráfico, que podem ajudar o Brasil no combate ao comércio de drogas". A posição cautelosa do ministro foi manifestada hoje em entrevistas a emissoras de rádio do Rio Grande do Sul e a jornalistas que acompanharam seu encontro com coordenadores regionais do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Tarso não quis prever quando o governo tomará a decisão. Admitiu, no entanto, que se os advogados de Abadía renunciarem aos prazos que têm para apresentar recurso, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pode transitar em julgado rapidamente, forçando o governo brasileiro a se posicionar em cerca de 45 dias.A extradição está autorizada pelo STF desde ontem e depende agora de autorização do presidente. Tarso adiantou que vai consultar o processo, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência e recolher informações técnicas para avaliar a situação. "Temos de examinar se compensa concordar com a extradição ou mantê-lo aqui até o julgamento, para que cumpra a pena e depois vá para os Estados Unidos", destacou o ministro. ÁlcoolTarso também admitiu que o governo pode retirar a proibição à venda de bebidas alcoólicas em trechos urbanos de rodovias federais, prevista pela Medida Provisória 415, que está em discussão no Congresso Nacional. O ministro reconheceu que, como está, com proibição em toda a extensão das rodovias, a MP não será aprovada, por pressão do "lobby do álcool". Segundo Tarso, o objetivo é não tirar a natureza essencial da medida, que já deu bons resultados, e permitir que ela seja aprovada. "Talvez tenhamos que perder algumas unhas para guardar as mãos", brincou.

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