Tarso evita falar sobre a absolvição de Renan

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que não cabe ao Executivo avaliar a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no processo de cassação por quebra de decoro encerrado ontem. "Podemos apenas dizer que foi uma decisão soberana e que continua como uma questão interna a ser resolvida pelo Senado", comentou, em rápida entrevista coletiva ao final da cerimônia de assinatura de um convênio de cooperação na área de segurança pública entre a União e o Rio Grande do Sul, hoje, em Porto Alegre."Não posso falar como cidadão e nem particularmente na situação de ministro, na qual eu tenho uma representação institucional do Estado brasileiro e não devo fazê-lo", desculpou-se. Diante da insistência dos jornalistas, que queriam saber se o governo havia trabalhado pela absolvição, o ministro sorriu e respondeu com uma pergunta. "Vocês têm alguma pergunta sobre o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania)?", indagou, referindo-se ao motivo de seu encontro com a governadora Yeda Crusius (PSDB) no Palácio Piratini.Os convênios assinados pelo ministro e pela governadora prevêem ações conjuntas do Estado e da União para prevenir, qualificar e modernizar a gestão do conhecimento no sistema de segurança pública e cooperação na prevenção e repressão aos crimes de tráfico ilícito e uso indevido de entorpecentes e drogas afins.Sessão fechadaAo contrário do ministro, a governadora falou sobre a absolvição de Renan e disse acreditar que o resultado pode ter sido influenciado pela sessão fechada. "Não vou nem ao limite de que o voto deveria ter sido aberto, mas a sessão deveria ter sido aberta", avaliou Yeda. "A absolvição deve competir à consciência de cada senador, mas o resultado foi conseqüência de uma prática que em toda a minha vida parlamentar eu jamais aceitaria sem fazer a ela uma forte oposição".Yeda considera que, apesar da absolvição, o presidente do Senado está fragilizado. A governadora sugere que a Casa faça logo uma discussão sobre as sessões e votos secretos ou abertos e não se submeta a novas situações como a desta semana. "Que se decida rapidamente como vai ser o processo, para evitar esse sangramento que a gente está vendo e que tem conseqüências em todo o País", sugeriu.

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