Tarso evita comentar reajuste de salários de parlamentares

O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, evitou nesta sexta-feira comentar a decisão da Mesa Diretora do Congresso, que aumentou ontem o salário dos parlamentares em 91%, mas defendeu que o País tenha um teto salarial mais baixo do que os R$ 24.500 que os ministros do Supremo Tribunal Federal recebem, valor do salário dos parlamentares a partir de fevereiro. "Eu não gostaria de manifestar uma opinião sobre a decisão do Congresso, que é soberana", afirmou. "Mas já me manifestei diversas vezes sobre isso, e acho que um País como o Brasil deveria ter um limite, um teto bem mais baixo do que tem", acrescentou. Segundo Tarso, o Brasil deveria seguir o exemplo de países mais desenvolvidos, em que as diferenças salariais no regime político são, no máximo, oito vezes maiores. "Aqui no Brasil, as diferenças salariais são extremamente gritantes, e o setor público reproduz as desigualdades sociais que ocorrem fora do Estado. Acho que poderíamos ter uma regulamentação bem mais moderada disso", considerou. De acordo com Tarso, entretanto, essa é uma questão que a sociedade deve colocar para que o Congresso possa legislar sobre ela. "Não cabe a mim dar lições a quem quer que seja", limitou-se a dizer. Na avaliação do ministro, o Congresso é uma instituição que deve ser preservada e respeitada, mas que não deve estar alheia às críticas que a sociedade faz e a imprensa reproduz. "É dessa massa de críticas que saem as soluções e correções desses erros, ilegalidades e eventuais abusos", opinou. Questionado sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Justiça, substituindo o ministro Márcio Thomaz Bastos no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso respondeu que a decisão é do presidente Lula, e disse achar compreensível que Bastos tenha pressa em saber quem será seu sucessor. "Bastos fez um excelente trabalho, é um quadro político excelente e é natural que queira saber quem será seu sucessor. Mas o que quero deixar bem claro é que nunca pleiteei meu nome para qualquer ministério. Meu compromisso com o presidente vai até o dia 31, e não participei de qualquer disputa política em direção a qualquer nomeação. Não farei e não faria isso em relação ao Ministério da Justiça", declarou. Modesto, o ministro disse que aguarda inclusive posição do presidente sobre sua manutenção no governo. "Pretendo continuar trabalhando com o presidente Lula e seu projeto majoritário na sociedade, seja dentro ou fora do governo". Questionado sobre que avaliação faz de seu trabalho no Ministério de Relações Institucionais, Tarso reconheceu não ter feito "qualquer coisa excepcional", mas disse ter cumprido com as determinações de Lula para articular os partidos em torno de uma coalizão de caráter programático. "Acho que foi um trabalho que ajudou o governo e o debate político no País", considerou. Ele negou ter preocupações a respeito do nome que possa sucedê-lo no cargo. "Eu sei que será uma boa escolha". Em relação ao redutor de gastos de 0,01% do PIB, que foi aprovado na Lei de Diretrizes Orçamentárias ontem pelo Congresso, Tarso afirmou não ter informações obre o assunto, e sobre se o presidente Lula teria intenções de vetar a questão.

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 20h04

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