Tarso elogia Bastos e quer ampliar poderes do Ministério

O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, elogiou seu antecessor, Márcio Thomaz Bastos, e disse que vai priorizar particularmente a reforma política, "uma das grandes pendências que o governo tem com a nossa sociedade", durante a transmissão do cargo de ministro da Justiça, realizada nesta sexta-feira, 16, em Brasília. Ministro confirmou que o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, permanecerá no cargo por mais três meses, a seu pedido, até que possa escolher um substituto.Tarso quer ampliar os poderes de seu novo cargo. Logo após tomar posse, defendeu a transferência do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) para a pasta da Justiça, encampando uma proposta de seu antecessor. Dono de um poderoso banco de dados sobre movimentações suspeitas de dinheiro, o Coaf, ligado hoje ao Ministério da Fazenda, é um dos principais órgãos no combate a crimes financeiros. "Queremos implantar no ministério poderes mais fortes para esse front de combate à criminalidade", declarou. Elogios e conflitosTarso começou o discurso dizendo que Bastos fez um "trabalho brilhante no Ministério". Citou depois a crise que abateu o governo Lula no primeiro mandato e que Bastos teve de enfrentar, crise superada "não só com a compreensão, mas apoio da população", e as relações do governo do Estado brasileiro com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "A OAB é uma instituição porta-voz da sociedade brasileira com todas as ambições e contradições que essa sociedade tem", pronunciou ele, em meio a uma salva de palmas. "Mas, e sobretudo, é uma estrutura regulatória, de vigilância e, portanto, uma instituição que não somente tem de ser respeitada, mas incorporada".Mas, durante os cumprimentos, Tarso brincou com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto. "Espero que desta vez a OAB não peça o impeachment do Lula" disse, referindo-se ao primeiro mandato do presidente, quando a OAB defendeu o impeachment de Lula, devido a denúncias de corrupção no governo. "Mas a OAB não ficará inerte, como o senhor mesmo sugeriu", respondeu Britto. "Queria fazer uma menção especial à Polícia Federal, que é una instituição que me orgulha muito. Sua centralidade está apenas começando a ser reconhecida e deve ser cada vez mais transparente", disse ele. "A polícia tradicionalmente trata mal os ´de baixo´, e bem os que ´estão em cima´, e a Polícia Federal está mudando isso", acrescentou, antes de se dizer "muito orgulhoso em suceder o amigo Márcio". Ex-ministroMárcio Thomaz Bastos, por sua vez, destacou a campanha do desarmamento, a reforma do sistema judiciário ("um trabalho cuidadoso, permanente, avançado") e outras "conquistas" que, segundo ele, ajudaram a "destravar algumas questões que estavam há 20 anos percorrendo os caminhos da política brasileira". Bastos lembrou o caso da terra indígena Raposa Serra do Sol, que foi um trabalho "longo", mas "marcou um avanço e salto qualitativo na política do País".Sobre segurança, assim como Tarso, destacou o trabalho da Polícia Federal. "Nós não tínhamos o sistema único de segurança pública, não tínhamos um sistema penitenciário federal. Hoje, quando o governador Sérgio Cabral fez um pedido de ajuda, nós já tínhamos a força nacional posicionada no Rio"."Agradeço aos grandes funcionários e servidores públicos. Eu poderia citar dezenas de nomes", disse ele, que, para Tarso, deixou a "tarefa" de "arrancar o plano de carreira do Ministério da Justiça que já esteve pronto e que pelos desígnios insondáveis da necessidade do superávit primário acabou saindo da pauta". Terminou dizendo que sai com a consciência de que o trabalho deu certo e avançou. "Tenho a tranqüilidade de passar para as mãos de Tarso o bastão dessa luta".Após a cerimônia de transmissão do cargo, no Ministério, Tarso Genro recebeu um cocar sem penas dos índios Xavantes para dar sorte e autoridade. O adorno foi colocado na cabeça do ministro pelo cacique Pio.Texto ampliado às 15h58(Com Sônia Filgueiras)

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