Tarso diz que PF não será usada em 'luta política'

Segundo ministro, Polícia Federal não será 'instrumentalizada' no caso do dossiê com dados de FHC

Agência Estado,

28 de março de 2008 | 20h04

O ministro da Justiça, Tarso Genro, reiterou nesta sexta-feira, 28, que a Polícia Federal (PF) não será "instrumentalizada" para investigar o que considerou uma "luta política" entre governo e oposição, em torno das informações sobre gastos com cartões corporativos e contas B do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.  Veja também:Dilma admite 'banco de dados' sobre FHC e nega dossiêBriga entre FHC e Lula antecipa debate sobre sucessão IMAGENS: Os momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula  ENQUETE: A CPI dos Cartões deve quebrar sigilo de Lula e FHC?  Entenda a crise dos cartões corporativos  FHC cobra dados de cartão de Lula, que reage e diz que fará sucessor Em sessão marcada por bate-boca, CPI rejeita convocação de Dilma  Enquanto a Casa Civil do governo Lula informa que essas informações "vazaram" de um levantamento de caráter administrativo, a oposição sustenta que se tratava de um dossiê com finalidades políticas. A informação divulgada nesta sexta pela imprensa, apontando a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, como responsável pelo documento, fez com que a oposição elevasse o tom das denúncias contra o governo. "Não há nenhum sinal de qualquer delito", disse Tarso, ponderando que, por isso, a intervenção da PF seria inadequada. "Não é uma questão para o Ministério da Justiça responder. Somos um Ministério de Estado, não um ministério político, e não devemos entrar em contenciosos de natureza política que dizem respeito à Casa Civil e ao próprio centro político do governo", afirmou. Ele fez a declaração antes de participar da aula inaugural do curso de pós-graduação em Segurança Pública e Direitos Humanos da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp), na capital paulista. De acordo com Tarso, só depois que a sindicância administrativa na Casa Civil identificar o responsável pelo "vazamento" das informações confidenciais sobre as contas do governo Fernando Henrique é que o Ministério da Justiça vai avaliar se a PF deve investigar o caso. Até o momento, insistiu, a questão deve ser encarada com normalidade e naturalidade. "É um movimento político da oposição, que é normal, que visa a criar obstáculos políticos ao governo", declarou. Para o ministro, o interesse da oposição neste caso só existe porque o caso tem sido coberto com destaque pela imprensa nacional. "Quando a mídia deixar de dar foco, os próprios políticos vão se desinteressar desses fatos, como já ocorreu com diversas outras CPIs e fatos", opinou. "Envolver o Ministério da Justiça numa situação dessas seria irresponsabilidade", argumentou.

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